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Lord of the Mysteries · Capítulo 921

Capítulo 916: Outro "Eu"

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 975 palavras

Sem esperar que Klein respondesse, Azik, fitando o fundo do mausoléu, continuou a falar sozinho:

— Lembrei também da situação da primeira vez que morri e ressuscitei: deitado entre cadáveres pálidos, levantei‑me cambaleando, com muito medo, sem saber o que havia acontecido nem onde estava.

— Antes que o pessoal da igreja recolhesse os corpos para purificação, fugi tropeçando dali, vaguei como um espírito errante por campos, vilas e cidades, sem lembrar quem eu era ou de onde vinha.

— Naquela época, aonde quer que eu fosse, ouvia muitos choros, via padres oficiando inúmeros funerais, e sentia a tristeza impregnar cada canto.

— Mais tarde, salvei acidentalmente uma jovem nobre e entrei na propriedade de sua família. Ela era uma garota alegre e ensolarada, enquanto eu era como uma fera saída da floresta, sensível, desconfiado, inseguro, assustado, e ao mesmo tempo exibindo frieza, indiferença, crueldade e aspectos que não condiziam com a moral humana.

— Ela tinha curiosidade em mim. Não importava o quanto eu a evitasse ou fizesse coisas ruins, ela se aproximava, me contagiava com seu sorriso e me influenciava com coisas interessantes. Sem perceber, me acostumei com suas provocações e com sua presença.

— Nós acabamos ficando juntos. Ela estava preocupada, com medo de que seu pai não concordasse que ela se casasse com um ex‑mendigo e atual servo.

— Vendo seu sorriso manchado de tristeza, pela primeira vez senti meu sangue ferver. Impulsivamente, disse a ela que iria partir dali, mas voltaria com um título nobre e um anel para minha noiva.

— Fui para o exército, tornei‑me cavaleiro, empunhei uma lança de três metros e carreguei contra o inimigo. No final da Quarta Era, em meio ao caos remanescente do Continente do Norte, tornei‑me barão e obtive meu próprio feudo.

— Cumprindo minha promessa, voltei com a concessão real, o brasão da família, a faixa de cavaleiro e o anel que eu mesmo teci, e desposei minha noiva.

Ao dizer isso, a expressão de Azik se suavizou gradualmente, como se estivesse relembrando e rememorando algo, e o canto de sua boca se ergueu sem que ele percebesse.

Klein ouviu e seu coração se comoveu, como se tivesse visto novamente o familiar Sr. Azik.

— E depois? — ele perguntou com cautela, começando a guiar a conversa.

Azik, olhando para a frente, disse:

— Depois… depois, construímos um castelo em nosso feudo e tivemos um filho, um menino que crescia rápido. Dava para prever que ele seria muito alto e robusto.

— Ele gostava de lutar, sempre arrastava uma espada larga para lá e para cá, dizendo que queria se tornar cavaleiro.

— Pensei que era só um capricho de criança, difícil de perseverar, mas mesmo que quebrasse a perna ou machucasse a cabeça, ele não desistia de treinar. Ele achava que, se escondendo no quarto com o rosto distorcido segurando o ferimento, eu não veria, haha, ele subestimava o pai dele. Todos os espíritos do feudo trabalhavam secretamente a meu favor.

— Ano após ano, recuperei cada vez mais memórias. Minha esposa reclamava sempre que o castelo era muito sombrio, queria ir para um lugar mais ensolarado e quente. Atendi aos seus desejos, mas só muito tempo depois entendi que ela não odiava morar no castelo, na verdade estava com medo das mudanças que estavam acontecendo em mim, com medo de eu estar cada vez mais sombrio, frio e estranho.

— Ela nunca me disse essas coisas, ainda se relacionava comigo como antes. Tivemos uma vida maravilhosa na costa sul, e até pensamos em ter outro filho, mas infelizmente não conseguimos.

— Foi só quando pressenti que minha próxima morte estava próxima que retornamos ao feudo, ao castelo.

— Meu filho mais velho, aquele menino, me disse que queria ir para , tornar‑se escudeiro de viscondes e condes, e começar seu caminho de cavaleiro.

— Perguntei a ele: por que fazer essa escolha com pouco mais de dez anos? Ele me respondeu: porque eu era seu ídolo e modelo, e queria se tornar cavaleiro e nobre por conta própria, assim como eu, e não dependendo dos pais.

— Naquela época, eu já tinha recuperado a maior parte das memórias. Diante desse menino, sempre me sentia um pouco envergonhado, distante e desconfortável, mas ao ouvir sua resposta, senti uma alegria, satisfação e orgulho indescritíveis. Este era meu filho, um filho completamente diferente dos descendentes que deixei no Império Balam.

Klein sabia que o Sr. Azik se referia à sua identidade como o "primeiro Barão Lamude", e aquele filho que lhe trazia orgulho e satisfação, na velhice ou meia‑idade, foi envenenado e assassinado, pregado dentro do caixão, e até seu crânio foi levado por .

Azik, com o olhar vago, continuou:

— Morri mais uma vez, acordei atordoado, instintivamente me afastei do feudo e, sob arranjos prévios, fui vagar para outros lugares. Em cada vida e cada começo, eu tinha uma vida diferente. Às vezes encontrava um amor doce, às vezes ganhava uma filha adorável. Esse carinho sincero, a impotência e a satisfação repetidamente me deixaram perplexo, confuso e contraditório à medida que recuperava as memórias.

— Uma vez, fui um filho devoto, trouxe orgulho aos meus pais, uma vida boa, netos e netas adoráveis. Mas quando "acordei" e me reencontrei, lembrei que, no final da minha vida anterior, ignorei a morte do verdadeiro filho deles no campo de batalha e ocupei aquela identidade. Por um lado, sentia dor e culpa, por outro, achava que não era nada, apenas uma coisa pequena. Parecia que meu interior estava dividido em duas pessoas.

— Naquela época, eu tinha uma máscara que podia me transformar em qualquer pessoa, mas a perdi depois de um despertar. Talvez eu mesmo a tenha perdido de propósito…

Klein lembrou‑se da filha que o Sr. Azik mencionou, que gostava de pedir frutas a ele. Refletindo um pouco, ele disse:

Fim do capítulo 921