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Lord of the Mysteries · Capítulo 1141

Capítulo 1135: Senhor «Porta»

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 786 palavras

Enquanto Triss entoava a fórmula, as gemas em torno dela, uma após outra, emitiram um estalido, esfarelaram-se em pó e elevaram-se no ar.

Cintilavam fagulhas vermelhas, azuis, verdes ou de luz cintilante; rapidamente se reuniram em torrente e atiraram-se à chama da vela sobre o altar.

Ao mesmo tempo, os fios de cabelo já consumidos no grande caldeirão juntaram-se a esse cortejo.

A chama subiu, intumesceu-se, entretrançou-se e foi-se tornando cada vez mais sombria, como se fosse uma «Porta Ilusória» que se abrisse para outros mundos.

Triss sentiu logo a temperatura ao redor cair de golpe, como se incontáveis perigos escorressem daquele aglomerado de fogo.

Pela cabeça passou-lhe num instante uma frase, um aviso de Gehrman Sparrow:

— Cuidado com o senhor «Porta».

Digno de quem possui um mensageiro daquele nível… A sua compreensão do senhor «Porta» e a sua intuição quanto às minhas intenções poderão ser mais profundas e exactas do que imagino… Triss inspirou devagar e aguardou com paciência o que viesse a seguir.

Num pestanejar, sentiu que o vazio na divisão se tornara nitidamente mais «fino»; em muitos pontos havia sombras imprecisas, como se atrás delas se escondesse uma multidão de criaturas inomináveis e estranhamente perigosas.

A chama sombria, em expansão, começou a rodar devagar, transformando-se num vasto e profundo turbilhão que escondia um rubro carmesim.

Pelo girar do turbilhão, brotou enfim das profundezas uma voz — etérea, mas capaz de atravessar o corpo espiritual:

— … Chic?

Ao ouvir essa voz, as veias na testa de Triss saltaram de imediato, e a cabeça pareceu-lhe atravessada por inúmeras agulhas de aço a picarem-na e revolverem freneticamente.

O seu cabelo negro, sem vento algum, ergueu-se por si próprio; cada fio engrossou um pouco, e a pele do rosto tornou-se translúcida, com veias que saltavam, densas como teia de aranha.

À custa de grande esforço, Triss dominou-se por fim e ouviu aquela voz — capaz de levar a grande maioria dos Beyonders, pouco a pouco, à perda de si — rir baixo:

— Parece, com efeito, uma ligada a Chic…

— De entre aqueles que outrora contemplaram comigo a segunda «Laje da Blasfémia»… que conseguiram ultrapassar a Sequência 1… e que viveram até hoje… só deveriam restar o «Artesão», Chic e eu…

Triss não atendeu aos lamentos do senhor «Porta»; mal contendo o esgar no rosto, abriu a boca:

— Honorável senhor «Porta», tenho um assunto sobre o qual gostaria de o consultar.

— Fala… os anos perdido na escuridão e preso na tempestade têm sido por demais entediantes… raro é vir alguém com quem possa conversar… — Do turbilhão profundo, que rodava lentamente, aquela voz medonha respondeu sem grande mudança.

Os músculos da cara de Triss contraíram-se algumas vezes sem querer; ainda não conseguia adaptar-se inteiramente àquela voz, que mais parecia o murmurar de um deus malvado.

Demorou alguns segundos a recompor-se e disse:

— … Quero saber se há algum método não convencional de entrar nos nove mausoléus secretos que outrora o «Imperador de Sangue» Tudor erigiu para ascender a «Imperador Negro».

Não se sabe de onde — atravessando um vazio sem fim — a voz do senhor «Porta» soltou uma risada flutuante:

— Ah, é por causa disto…

— Não é muito difícil… Dar-te-ei um símbolo… recolhe o sangue de Beyonders de vias diferentes e mistura-os… impregnando-o de espiritualidade, à frente do mausoléu, desenha no vazio aquele símbolo, e abrir-se-á a passagem oculta que conduz ao interior…

Enquanto esta Existência falava, do sombrio turbilhão desprenderam-se, um a um, pequenos fogos que no ar compuseram um símbolo bastante complexo.

Era como se portas, da maior para a menor, se empilhassem desordenadamente uma dentro da outra, sem fim.

Suportando a dor — como se o seu corpo espiritual se rasgasse — Triss decorou o símbolo e procurou confirmação:

— Tem de incluir as vinte e duas vias Beyonder?

— Cada via requer o sangue de apenas um Beyonder, seja qual for a sua Sequência?

— Quanto sangue é necessário, mais ou menos, por cada via?

O senhor «Porta» respondeu naquela mesma maneira murmurante:

— Sim… não é preciso muito… um pequeno frasco basta… desde que seja suficiente para acabar de traçar o símbolo…

Embora a dor lhe deformasse a expressão, com a informação principal já obtida, Triss não pôde deixar de erguer os cantos da boca, deixando assomar um esboço de sorriso.

Conjugado com o restante semblante, o efeito ficou estranhíssimo: parecia uma louca.

Cumprido o objectivo principal, e a fim de que a cooperação seguinte com Gehrman Sparrow decorresse sem percalços, Triss tornou a perguntar:

— A família Abraham deseja saber como libertar-se da antiga maldição que paira sobre eles.

O sombrio turbilhão calou-se por vários segundos antes de responder com um suspiro:

Fim do capítulo 1141