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Reverend Insanity · Capítulo 39

Seção 38: O demônio anda na luz

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 1.078 palavras

No céu, nuvens escuras se acumulavam em camadas, e a chuva primaveril caía sem parar.

A garoa fina, como pelo de boi, caía, cobrindo a montanha Qingmao com uma névoa leve.

O salão de jantar do primeiro andar da hospedaria ainda estava deserto; apenas quatro mesas estavam ocupadas.

Fang Yuan estava sentado perto da janela. Uma lufada de vento trouxe uma mistura de poesia e perfume de flores.

«A chuva fina na rua celestial é suave como manteiga; a grama se vê de longe, mas de perto não». Fang Yuan olhou pela janela, recitou baixinho o verso e desviou o olhar.

Sobre a mesa à sua frente havia bom vinho e bons pratos, atraentes pela cor, aroma e sabor. Especialmente o vinho de bambu verde, com um aroma rico e fresco. O líquido esmeralda repousava quieto em uma taça de bambu, e daquele ângulo emitia um brilho âmbar quente.

Na mesa mais próxima dele estavam um avô e seu neto. Vestiam «Seção 38: O demônio anda na luz» roupas simples e ambos eram mortais.

O avô, enquanto sorvia vinho de arroz, olhava para Fang Yuan com inveja. Claramente estava atraído pelo aroma do vinho de bambu, mas não tinha dinheiro para comprá-lo.

O neto comia feijões temperados, que crocavam ruidosamente, enquanto importunava o avô, balançando seu braço: — Vovô, vovô, me conte a história do Antepassado Humano. Se não contar, vou até a vovó e digo que você saiu para beber escondido!

— Ah, nem posso beber em paz. — O avô suspirou, mas em seu rosto apareceu uma expressão afetuosa. Com sua mão ossuda acariciou a cabeça do neto. — Está bem, vou contar. Acontece que o Antepassado Humano entregou seu coração ao Gu da Esperança e escapou do cerco das dificuldades…

A história do Antepassado Humano é a lenda mais difundida e a mais antiga deste mundo.

A história que o velho contou era mais ou menos assim.

Diz-se que o Antepassado Humano se livrou de suas dificuldades graças à esperança. Mas ele envelheceu, perdeu força e sabedoria; não podia mais caçar, e até seus dentes caíram, então não conseguia mastigar muitas frutas e vegetais silvestres.

O Antepassado Humano sentiu a morte se aproximar.

Nesse momento, o Gu da Esperança lhe disse: — Homem, você não pode morrer. Se você morrer, seu coração desaparecerá, e eu, a Esperança, perderei minha morada.

O Antepassado Humano ficou impotente: — Quem quer morrer? Mas o céu e a terra querem que eu morra, não tenho escolha.

O Gu da Esperança disse: — Em tudo há esperança. Capture o Gu da Longevidade e você poderá prolongar sua vida.

O Antepassado Humano já ouvira falar do Gu da Longevidade, mas encolheu os ombros: — Quando o Gu da Longevidade está parado, ninguém pode detectá-lo. Quando voa, é mais rápido que a luz. Como eu poderia capturá-lo? É muito difícil!

Então o Gu da Esperança revelou um segredo ao Antepassado Humano: — Homem, nunca perca a esperança. Eu lhe digo que no noroeste da grande terra há uma alta montanha. No topo há uma caverna, e na caverna vivem dois gu insetos, um redondo e um quadrado. Se você conseguir subjugar esses dois gu, não haverá gu no mundo que você não possa capturar, nem mesmo o Gu da Longevidade!

O Antepassado Humano estava desesperado; essa era sua única esperança.

Ele suportou inúmeras dificuldades e encontrou a montanha. Arriscou mil perigos e escalou o topo. Na entrada da caverna, só lhe restavam as últimas forças, e ele entrou cambaleando.

A caverna estava completamente escura, não se via a mão à frente. O Antepassado Humano andou e andou na escuridão. Às vezes tropeçava em algo, batia a cabeça e sangrava. Às vezes sentia que a escuridão era vasta e infinita, como outro mundo, vazio exceto por ele mesmo.

Ele passou muito tempo sem conseguir sair da escuridão, e muito menos subjugar os dois gu insetos, redondo e quadrado.

Quando ele estava perdido, duas vozes vieram da escuridão.

Uma disse: — Homem, você também veio nos capturar? Volte. Mesmo que tivesse o Gu da Força, seria impossível.

Outra voz disse: — Homem, retire-se. Não tiraremos sua vida. Mesmo com a ajuda do Gu da Sabedoria, talvez você não nos encontre.

O Antepassado Humano caiu no chão sem forças, ofegante: — O Gu da Força e o Gu da Sabedoria me abandonaram há muito. Pouca vida me resta e estou encurralado. Mas enquanto eu tiver uma centelha de esperança em meu coração, não desistirei!

Ao ouvir isso, as duas vozes se calaram.

Após um bom tempo, uma disse: — Entendo. Homem, você entregou seu coração ao Gu da Esperança. Você não desistirá por nada.

A outra voz continuou: — Nesse caso, lhe daremos uma chance. Se disser nossos nomes, nós o serviremos.

O Antepassado Humano ficou perplexo. Tirar dois nomes exatos de um mar de palavras era como procurar uma agulha em um palheiro.

Além disso, ele nem sabia quantos caracteres os nomes desses dois gu tinham.

Ele rapidamente perguntou ao Gu da Esperança, mas este também não sabia.

Não tinha outra saída, então cerrou os dentes e começou a dizer nomes. Ele disse muitos nomes, durante muito tempo, mas não houve resposta na escuridão; evidentemente, todos estavam errados.

Aos poucos, a respiração do Antepassado Humano se enfraqueceu. Naquela caverna, ele passou da velhice à senilidade. Como o sol poente, descendo lentamente, meio oculto no horizonte, tornado entardecer.

A comida que trazia se esgotava, sua mente ficava mais lenta, quase não tinha forças para falar.

A voz na escuridão aconselhou: — Homem, você está prestes a morrer. Deixaremos você ir. Aproveite seus últimos momentos para rastejar para fora da caverna e ver o mundo pela última vez. Mas como punição pela sua ofensa, deixe o Gu da Esperança aqui conosco para nos fazer companhia.

O Antepassado Humano segurou o peito e recusou terminantemente: — Mesmo que eu morra, não abandonarei a esperança!

O Gu da Esperança ficou comovido e respondeu com toda a sua força, emitindo um brilho branco puro. Do peito do Antepassado Humano surgiram pontos de luz branca.

Mas essa luz era fraca demais para iluminar a escuridão; não podia cobrir nem seu corpo inteiro, iluminava apenas a região do peito.

No entanto, o Antepassado Humano sentiu uma nova força invisível fluir para seu corpo vinda do Gu da Esperança.

Ele continuou a falar, dizendo nomes. Já estava senil; muitos nomes ele havia dito antes, mas esqueceu e repetiu, perdendo tempo.

A vida

Fim do capítulo 39