As pupilas de Fors se dilatam de repente, como se tentassem absorver mais luz para ver melhor o estado atual de Xio.
Ao mesmo tempo, uma explosão de luz surgiu à sua frente, várias vezes mais brilhante e ofuscante que o flash de uma câmera antiga, tornando tudo ao redor branco.
Em seguida, seu dedo deslizou por uma página das «Notas de viagem de Lehmano» e uma névoa negra subiu de seus pés, envolvendo todo o seu corpo.
Essa névoa negra densa rapidamente se dividiu em dezenas de morcegos ilusórios do tamanho de uma palma, que voaram para diferentes partes do salão subterrâneo.
Eram as «Asas Negras», registradas nas «Notas de viagem de Lehmano» sob «A Lua»!
Sua função original era aumentar a velocidade, permitir voo breve e conjurar um enxame de morcegos vampiros para atacar inimigos, mas Fors não as usou assim, apenas como um adereço para um truque.
Quando todos os morcegos ilusórios partiram, o local onde Fors estivera ficou vazio.
Sua figura de alguma forma se moveu mais de dez metros para longe.
Após instintivamente escapar e se proteger, Fors finalmente se acalmou um pouco e rapidamente dirigiu o olhar para Xio, que acabara de mostrar sinais de anormalidade.
Mas o que viu foi Xio, com os cabelos loiros apenas ligeiramente desgrenhados, o rosto levemente moreno pelas longas exposições ao ar livre, uma expressão de surpresa misturada com confusão, como se se perguntasse por que sua amiga reagira de forma tão abrupta, sem nenhum traço de estar sendo afetada por um espírito ou fantasma.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Xio, desconfiada e cautelosa.
Fors estreitou os olhos, sem responder diretamente. Enquanto folheava as «Notas de viagem de Lehmano», perguntou por sua vez:
— Xio, qual é a sua altura real agora?
Xio pareceu compreender e respondeu:
— 152, certo?
Mal ela terminou de falar, o dedo de Fors já deslizara sobre os símbolos e marcas mágicas daquela página.
Silenciosamente, uma luz sagrada envolta em chamas caiu do alto do teto do salão subterrâneo.
Era pura e majestosa, instantaneamente envolveu Xio, irradiando anéis de luz solar.
A luz ardente perfurou os olhos de Fors, fazendo-a ver todo o salão desmoronar e o espaço ao redor se quebrar em pedaços como vidro.
Essa sensação foi fugaz. Fors, um tanto confusa, descobriu que ainda estava no mesmo lugar, sem ter fugido.
Era apenas uma ilusão? Ela virou a cabeça apressadamente e, de fato, viu Xio olhando normalmente para a área danificada perto da porta pesada.
Fors pensou por um momento, abriu a boca e disse:
— Xio, qual é a sua altura real agora?
Xio olhou de relance para ela e respondeu impacientemente:
— Não faça perguntas tão chatas!
Ufa, é real… Fors suspirou aliviada e contou a Xio o ocorrido, destacando os pontos principais.
Xio refletiu por alguns segundos, então tocou o braço de Fors com a mão esquerda em que segurava a lanterna:
— Vamos recuar um pouco. Talvez quanto mais perto daquela porta, mais fáceis sejam as alucinações.
— Sim, é possível! — Fors concordou, recuando rapidamente alguns passos.
Então, ela olhou ao redor novamente e disse com certa perplexidade:
— Por que ainda não encontramos espíritos ou fantasmas aqui? Esse tipo de ambiente deveria ser do agrado deles.
Xio também estava intrigada, então observou com atenção e finalmente fixou o olhar no globo de luz flutuando sobre a cabeça de Fors.
— Tente apagá-lo — sugeriu ela.
Fors entendeu e cancelou a iluminação do globo.
A escuridão avançou silenciosamente, dominando novamente o salão subterrâneo, apenas a luz amarela e fraca da lanterna se opunha debilmente.
Então, na «visão espiritual» de Fors apareceram duas figuras.
Ambas estavam perto da porta de bronze. Uma era uma mulher, com o cabelo preso, vestindo calças de cavaleiro práticas e uma camisa. A outra era um homem, com uma armadura prateada e preta, empunhando uma espada quase enferrujada.
A primeira tinha o rosto indistinto, movia-se constantemente entre a porta e a área onde Fors e Xio haviam estado antes. O segundo vagueava perto da porta, murmurando algo.
Seriam esses os dois antigos espíritos malignos? Fors cutucou Xio com o cotovelo e disse em voz baixa:
— Estou vendo corpos espirituais.
— Eu também os vejo. Eles não estão se escondendo. — Xio se inclinou ligeiramente, assumindo uma postura de combate.
Fors a cutucou novamente rapidamente:
— Espere, ainda não temos certeza se são o alvo.
Ela tentou dar três passos à frente, mas as duas figuras indistintas nem sequer olharam para ela.
Fors pensou por um momento e de repente falou:
— Senhora, o que está fazendo?
— Antes, em outros círculos ocultistas, ela ouvira histórias de que seres espirituais de alto nível, como espíritos vingativos e sombras, poderiam ser comunicáveis.
Mas assim que falou, se arrependeu, porque mesmo que pudesse se comunicar, não conseguiria alcançar seu objetivo; não poderia persuadi-los a cometer suicídio e entregar o objeto amaldiçoado e a espiritualidade residual do antigo espírito maligno.
No momento em que Fors considerava se deveria atacar diretamente, a mulher de camisa e calças de cavaleiro respondeu à sua pergunta em tom impassível:
— Estou procurando meu marido.