Anderson, que estava saboreando pão de queijo e mandioca, ergueu os olhos para Danitz e acenou com a cabeça, pensativo:
— Não sei por que, mas não quero sair do Balam Ocidental. Haha, já que estamos aqui, como caçador de tesouros, como posso voltar de mãos vazias?
— Nas vastas selvas e templos abandonados, há ouro, joias, antiguidades e talvez itens mágicos esperando para serem resgatados!
Danitz torceu a boca e engoliu de uma vez o restante de "Guadal" em seu copo.
Era uma bebida feita de uma baga típica do Balam Ocidental, de cor alaranjada, agridoce, refrescante e com um pouco de cafeína, que ajudava a combater a fadiga e a manter a vigília.
Depois de colocar o copo de lado, pegar um guardanapo e limpar a boca, Danitz soltou um "Hã":
— Sinto que você tem algum plano oculto.
— Eu também espero que sim. — Anderson riu, sem se importar.
Ele acompanhava o café da manhã com café.
Tanto no Balam Oriental quanto no Ocidental, há várias regiões produtoras de café de alta qualidade, apenas um pouco menos famosas que o café de altitude de Feynapotter, o café de altitude do Continente do Sul e o café Firmer do vale Pas, perto do Planalto Estrela.
Antes que Danitz pudesse responder, Anderson sorriu e continuou:
— Isso não é ótimo? Eu forneço proteção de graça, e você trabalha como meu intérprete — todos ganham.
Pensando que ele era apenas uma Sequência 7 e estava sendo caçado por uma organização atrás da outra, Danitz sentiu que as palavras de Anderson faziam sentido.
Ele tossiu e disse:
— Mas em certos momentos, pedirei que você se afaste.
— Se você disser "por favor", não tenho problema. — Anderson disse de forma relaxada.
Danitz vestiu a capa e foi em direção à entrada da pousada para começar a investigação do dia.
No caminho, ele de repente desabafou:
— Você já teve uma experiência em que sonha frequentemente com um anjo descendo e te envolvendo com suas asas?
— Não, não apenas em sonhos, às vezes a mesma alucinação ocorre quando estou acordado.
Anderson olhou para as luvas que Danitz usava, refletiu por alguns segundos e então sorriu:
— Você está adorando alguma entidade oculta?
— Ou teve contato com algo antigo?
A expressão de Danitz endureceu, e ele forçou um sorriso:
— Se fosse tão simples como você diz, eu já teria descoberto a causa!
Enquanto falava, ele passou por três homens que entravam na pousada e saiu.
Anderson, por hábito, observava os transeuntes para confirmar o ambiente, então deu uma olhada casual nos três homens. Viu que eram um patrão e dois servos. O patrão era alto, de pele morena e traços suaves, parecendo uma mistura de Balam e Loen. Sua roupa era mais ao estilo do Continente do Norte: cartola de seda, terno preto e bengala com incrustações de ouro.
Um dos servos era um típico local, provavelmente de uma plantação, carregando uma bengala reserva e uma mala de couro para o patrão. O outro também era mestiço, com rosto carnudo, roupas folgadas e uma espada na cintura, aparentemente atuando como guarda-costas.
Anderson não deu importância e seguiu Danitz para a rua.
Ele apontou com interesse para os vários caixões puxados por cavalos ou carregados por homens, cada um com um design diferente:
— Quer experimentar um?
— É muito interessante. Depois que se acostuma, a morte não parece tão assustadora. Talvez a qualquer momento você empurre a tampa e se levante.
Danitz olhou de soslaio para aqueles veículos estranhos e balançou a cabeça sem hesitar:
— Como pirata, até certo ponto preciso acreditar no Senhor das Tempestades e evitar algumas coisas. Manter distância de caixões é uma delas.
— Eu sou diferente, não tenho tabus. — Anderson pegou algumas moedas "Delisi" e comprou vários jornais de um menino jornaleiro na rua.
Deve-se dizer que, em termos de sistema de jornaleiros, as grandes cidades do Continente do Sul não perdiam para o Continente do Norte, afinal, a mão de obra era mais barata e havia mais crianças que precisavam complementar a renda familiar.
Enquanto Danitz caminhava em direção ao cruzamento procurando uma carruagem para estrangeiros, ele pegou um jornal de Anderson e folheou rapidamente.
De repente, ele notou uma notícia:
«…O famoso pirata que se autodenominava "Almirante do Inferno",
— O quê… — a boca de Danitz se abriu lentamente, e ele não conseguiu fechá-la por um bom tempo.
Finalmente entendeu por que Gehrman Sparrow lhe disse para tomar cuidado com a Igreja dos Mortos!
Esse louco tinha matado Ludwell, o principal dos sete Almirantes Piratas!
Após cerca de dez segundos, Danitz, atordoado, entregou o jornal a Anderson ao lado:
— Veja isso.
Anderson pegou o jornal com um sorriso e o folheou muito rapidamente.
Após um breve silêncio, ele assobiou e riu baixinho:
— Esse cara merece um novo apelido.
— O Flagelo dos Almirantes Piratas!