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Lord of the Mysteries · Capítulo 92

Capítulo 92 "Especialista em Psicologia"

2 de abril de 2018 · 5 min de leitura · 941 palavras

— Histeria coletiva? — o Sir Devill, que havia estado em contato com vários psicólogos recentemente, saboreou o termo que Klein lhe dera.

Seu mordomo, guarda-costas e criados, sem sua permissão, não emitiram nenhum som, por mais curiosos que estivessem.

O xerife Gate, por outro lado, olhou para Klein com dúvida, como se nunca tivesse ouvido um conceito semelhante.

Klein conteve o hábito de bater levemente no apoio de braço do sofá e explicou em voz baixa e calma: — Humanos são criaturas facilmente enganadas pelos próprios sentidos. Histeria coletiva é um problema psicogênico causado pela influência mútua de fatores como tensão nervosa dentro de um mesmo grupo.

Sua série de termos profissionais deixou Sir Devill e o Xerife Gate confusos, fazendo-os instintivamente acreditar nele.

— Deixe-me dar um exemplo simples, um caso que lidei. Um cavalheiro deu um jantar, convidando trinta e cinco convidados. Durante o jantar, ele sentiu náuseas, vomitou ali mesmo e, em seguida, teve diarreia severa. Uma, duas, três vezes. Ele começou a achar que era intoxicação alimentar e, enquanto ia para o hospital, contou sua suspeita aos convidados.

— Nas duas horas seguintes, mais de trinta dos trinta e cinco convidados tiveram diarreia, e vinte e seis vomitaram. Eles lotaram a sala de emergência do hospital.

— Os médicos fizeram exames e comparações detalhadas e concluíram que aquele cavalheiro não havia sido envenenado. A causa era uma inflamação gastrointestinal provocada pela mudança de clima e bebidas alcoólicas geladas.

— O mais surpreendente foi que nenhum dos convidados que chegaram ao hospital foi envenenado, e, na verdade, nenhum deles estava realmente doente.

— Isso é histeria coletiva.

Sir Devill assentiu levemente e elogiou: — Entendo. Humanos são realmente propensos a enganar a si mesmos. Não é à toa que o Imperador Roselle disse que uma mentira repetida cem vezes se torna verdade.

— Oficial, como devo tratá-lo? Você é o psicólogo mais profissional que já conheci.

— Inspetor Moretti. — Klein apontou para sua divisa. — Senhor, seu problema foi temporariamente resolvido. Pode tentar dormir agora, para eu confirmar se há outros problemas. Se tiver um bom sonho, permita-nos retirar-nos mais cedo, sem esperar que acorde.

— Tudo bem. — Devill esfregou a testa, pegou sua bengala e subiu as escadas, passo a passo, até o quarto.

Meia hora depois, uma carruagem com o emblema da polícia partiu da fonte em frente à mansão do Sir Devill.

Depois que o Xerife Gate desceu no meio do caminho para voltar à sua delegacia, o Inspetor Toller olhou para Klein e disse, meio lisonjeiro, meio brincalhão: — Por um momento, achei que você era um verdadeiro especialista em psicologia...

Ele não terminou a frase, porque viu que o jovem no uniforme xadrez preto e branco quase não mostrava expressão. Seus olhos eram escuros e profundos, e os cantos de sua boca se torceram levemente enquanto ele dizia: — Apenas tive algum contato com isso no passado.

O Inspetor Toller ficou em silêncio até a carruagem parar em frente ao número 36 da Rua Zouteland.

— Obrigado pela sua ajuda. Sir Devill finalmente se livrou de seus problemas e recuperou o sono. — Ele estendeu a mão e apertou a de Klein. — Dê meus agradecimentos ao Dunn.

Klein assentiu levemente: — Está bem.

Ele subiu as escadas, passo a passo, de volta à Companhia de Segurança Blackthorn, bateu e entrou no escritório do capitão.

— Resolvido? — Dunn esperava seu almoço.

— Resolvido. — Klein esfregou a testa e explicou concisa e verdadeiramente: — A raiz do problema está nas fábricas de chumbo e porcelana em nome do Sir Devill. Desde sua fundação, houve mortes demais por envenenamento por chumbo, e cada incidente fez com que Sir Devill absorvesse um pouco de ressentimento da espiritualidade residual.

— Normalmente, isso não causaria grandes problemas, apenas daria pesadelos. — Dunn já havia lidado com casos semelhantes e era bastante experiente.

Klein assentiu levemente: — Sim, era assim que as coisas deveriam ter ido. Mas, infelizmente, um dia Sir Devill encontrou na rua uma operária sofrendo de envenenamento por chumbo. Ela caiu na beira da estrada, viu o brasão da família Devill e, ao mesmo tempo, tinha fortes sentimentos de resignação, preocupação e desejo. Foi só quando o lorde deu a seus pais, irmão e irmã uma compensação de 300 libras que essas emoções se dissiparam.

— Isso é um problema social, não incomum nesta era de vapor e maquinário. — Dunn tirou seu cachimbo, cheirou-o e suspirou. — Trabalhadores do linho, ao umedecer os materiais e se molharem, sofrem comumente de bronquite e doenças articulares. Em fábricas com muita poeira, mesmo sem envenenamento, problemas pulmonares se acumulam… Bah, não vamos discutir isso. Com o desenvolvimento do reino, acredito que tudo será resolvido. Klein, esta noite, vamos encontrar um restaurante para celebrar você se tornar um membro oficial?

Klein pensou por um momento: — Amanhã à noite… Capitão, usei minha visão espiritual por muito tempo hoje e me comuniquei diretamente com aqueles ressentimentos usando a técnica de "adivinhação onírica". Estou muito cansado. Gostaria de ir para casa esta tarde e descansar bem. Posso? Sim, irei ao Clube de Adivinhação por volta das quatro ou cinco para observar as reações dos membros à morte súbita de Hainas Vansen.

— Sem problema, está certo. — Dunn riu. — Então amanhã à noite, no restaurante Old Weir ao lado. Vou pedir para reservar uma mesa.

Klein se levantou com seu boné de polícia na mão, fez uma reverência: — Obrigado, capitão. Até amanhã.

Dunn levantou a mão: — Espere, você disse que Sir Devill deu aos pais da operária uma compensação de 300 libras?

Fim do capítulo 92