Klein não respondeu se estava certo ou errado, parou no caminho para o quarto e disse calmamente:
— Isso é um problema.
— Sim, sim, um problema! Um problema infundado e calunioso! E eu dei uma resposta negativa. — respondeu Danitz alegremente, enfatizando que nunca havia admitido nada.
Klein assentiu levemente:
— Vou esclarecer com seu capitão.
Esclarecer... Danitz ficou atônito, depois abriu a boca com uma expressão distorcida.
Sendo alguém que já vira muito do mundo, ele não discutiu e forçou um sorriso:
— Há algo que eu possa fazer por você?
Klein respirou fundo e usou sua habilidade de "Palhaço" para controlar sua expressão facial:
— Vigie bem.
— Sim, sim! — respondeu Danitz prontamente.
Vendo Gherman Sparrow se virar e caminhar em direção à porta do quarto, ele não pôde evitar de perguntar:
— Você não vai mais esclarecer com o capitão?
Klein girou a maçaneta e respondeu sem expressão:
— Vigie bem.
Com isso, ele abriu a porta e entrou, fechando a porta atrás de si antes que um sorriso se espalhasse em seu rosto.
......
No dia seguinte, após o café da manhã, Klein trocou para calças largas, uma jaqueta grossa cor de café, colocou um boné, alterou sua aparência e saiu, deixando Danitz sozinho no quarto vigiando o radiotelégrafo.
No caminho, Klein mudou sua aparência novamente, ficando ainda mais parecido com um nativo.
Ele encontrou uma loja especializada e comprou luvas de linho, uma mortalha e um saco para cadáveres. Então, baseando-se no ambiente que vira na visão da oração, encontrou o arco da ponte e descobriu a garota que havia morrido em um canto, na lama.
Como ainda era inverno, o tempo não estava quente, e o corpo não mostrava sinais óbvios de decomposição, mas a pele ulcerada e o mau cheiro ainda causavam náuseas instintivas em Klein.
— Ele não havia enterrado essa garota, que queria viver como um ser humano, na noite anterior porque, devido aos eventos recentes, o controle noturno em Bayam estava excepcionalmente rigoroso, e o cemitério só abria ao amanhecer.
Tirando um frasco de metal, Klein derramou um pouco de "Óleo de Crag" na mão e esfregou sob o nariz.
Uma sensação sufocante invadiu sua mente, misturada com um cheiro de menta como desinfetante, preenchendo seu olfato. Isso o deixou tão alerta como se tivesse acabado de cair em um oceano cheio de blocos de gelo flutuantes, não sendo mais afetado por outros odores.
Guardando o frasco, Klein calçou as luvas, aproximou-se e agachou-se ao lado do cadáver feminino.
Primeiro, estendeu a mortalha e a envolveu lentamente, depois colocou cuidadosamente o corpo no saco.
Carregando o saco nos ombros, ele passou deliberadamente por várias das ruas mais movimentadas de Bayam, foi até os arredores, e por um caminho estreito por onde carruagens não podiam passar, subiu até a metade de uma montanha costeira.
Aqui, a Igreja da Tempestade e o gabinete do governador haviam estabelecido um cemitério especificamente para os nativos locais.
O cemitério para estrangeiros, como loenses, intisianos, feysacianos, etc., que vinham aqui para negociar, se aventurar ou se estabelecer, estava do outro lado de Bayam, com fundo de bosque, plano e suave.
Klein subiu passo a passo, entrou no cemitério sem nome e encontrou o coveiro cochilando.
— Como quer enterrá-la? — perguntou o coveiro apontando para o saco. — Se quiser de graça, terá que esperar alguns dias até acumularem cadáveres suficientes no necrotério, depois os queimam juntos e enterram na mesma cova. Claro, um padre acalmará a alma da falecida com antecedência. Por 5 sóis, ela terá sua própria urna e um nicho. Por 2 libras, a urna mais um túmulo e uma lápide. Se não quiser cremação e precisar de um caixão, pode escolher um ali, diferentes madeiras com diferentes preços.
Klein pensou um momento, pegou uma nota de 5 sóis e a entregou.
— Nome? — o coveiro contou o dinheiro, pegou uma caneta de imersão e perguntou educadamente.
Na verdade, ele não sabia escrever palavras, apenas desenhava símbolos como auxílio de memória.
Klein hesitou um segundo e disse:
— Budi.
— Budi... — repetiu o coveiro em voz baixa e desenhou um símbolo.
Sem levantar a cabeça, continuou:
— Ela pode ter um epitáfio no nicho.
Budi era um nome feminino típico dos nativos do arquipélago de Rorsted, então o coveiro não errou o gênero novamente.
Klein ficou em silêncio por alguns segundos, então disse em voz baixa:
— Ela era humana.
— Ela era humana? Que epitáfio estranho... — murmurou o coveiro. — Tem uma foto? Sei que não.
Antes que terminasse de falar, viu a outra pessoa entregar uma "foto".
Era um retrato que Klein criara através de um ritual, recriando perfeitamente a aparência da garota antes de sua doença. Para não levantar suspeitas, ele usou o papel apropriado e certas técnicas para fazer o retrato parecer uma foto real.
O coveiro ficou um pouco surpreso, mas não disse muito, rapidamente pegou os materiais e, junto com Klein, carregaram o saco até a pequena casa do padre.