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Lord of the Mysteries · Capítulo 53

Capítulo 53: O Ouvinte

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 768 palavras

Sobre o mar assolado pela tempestade, um antigo navio à vela de três mastros balançava com as ondas.

Não era rápido nem grande; nesta cena desastrosa onde o céu e o mar se fundiam, era como uma folha caída de uma árvore, mas por mais feroz que fosse o furacão, por mais terríveis que fossem as ondas, navegava seguro, sem virar.

estava no convés vazio, contemplando as ondas gigantescas ao seu redor como montanhas e picos, perdido em pensamentos.

— Segunda-feira novamente... — murmurou para si mesmo.

Esse era o dia da Mãe Terra, o início de um novo ciclo de prosperidade e decadência.

Mas para Alger, também tinha outro significado, pertencente a uma existência misteriosa sempre envolta em névoa cinzenta.

Pelo menos ainda não enlouqueci... Ele desviou o olhar e sorriu amargamente.

Nesse momento, um de seus poucos tripulantes se aproximou e perguntou respeitosamente:

— Vossa Eminência, qual é o objetivo desta viagem?

Alger olhou ao redor e respondeu com tom inalterado:

— Caçar um "Ouvinte" da Ordem Aurora.

...

A tempestade se dissipou e o ar se encheu de névoa. Em um estranho navio à vela com canhoneiras, mas ainda fora de sintonia com os tempos.

Um menino de oito ou nove anos, com cabelo amarelo macio, olhava aterrorizado para os piratas indisciplinados ao seu redor, vendo-os aproveitar barris de cerveja, balançar em cordas, zombar uns dos outros e até se socar.

Ele se virou para o homem de túnica preta parado nas sombras e baixou a voz:

— Pai, para onde vamos?

Cinco dias atrás, pela primeira vez em sua memória, ele havia conhecido seu pai, que se autointitulava aventureiro.

Se não fosse pela pintura a óleo que sua mãe deixou para provar sua identidade, se não fosse pelo orfanato que abria suas portas para ele, ele nunca teria aceitado deixar sua cidade natal para seguir esse quase estranho.

O homem nas sombras baixou a cabeça, olhou para seu filho e respondeu gentilmente:

, estou te levando a um lugar sagrado, o "Santuário" onde o Criador uma vez viveu.

— Esse é o reino de Deus? Nós, mortais, só podemos entrar se recebermos graça... — O pequeno Jack tinha sido bem ensinado por sua mãe e tinha conhecimento comum suficiente; estava ao mesmo tempo surpreso e assustado.

O homem parado nas sombras tinha um rosto com linhas tão profundas que era inesquecível, como uma escultura do maior mestre.

Ele levou a mão ao ouvido, adotando uma postura de escuta, e respondeu com um tom quase sonhador:

— Jack, "mortal" é um conceito errado. O Criador criou este mundo, Ele está em toda parte, Ele existe dentro de cada ser vivo, então tudo tem divindade. Quando a divindade é rica o suficiente, pode-se tornar um anjo. Os sete falsos deuses atuais são meramente anjos mais poderosos.

— Veja, agora posso ouvir os ensinamentos do Criador. Ah, que revelações extraordinárias! A vida é apenas uma jornada espiritual. Quando o espírito é forte e resiliente o suficiente, podemos encontrar nossa própria divindade e nos fundir com mais divindade...

O pequeno Jack não conseguiu entender essa descrição complexa; ele balançou a cabeça e fez outra pergunta que não teve tempo de fazer antes:

— Pai, mamãe me disse que depois de criar este mundo, o Criador se dividiu em tudo e na verdade não existe. Então por que Ele tem um "Santuário"?

Como uma criança de sete ou oito anos, sua lógica era clara o suficiente.

O homem de rosto esculpido ficou perplexo, inclinou ligeiramente a cabeça, como se ouvisse mais sussurros.

De repente, ele caiu para frente, ajoelhando-se no convés. A pele exposta de seu corpo saltou com uma após outra coisas verde-escuras.

Ele cobriu a cabeça com as mãos, seu rosto se contorceu de dor, e gritou em agonia:

— Eles estão mentindo!

....

Após o almoço, com a promessa do velho Neil de levá-lo na próxima vez ao mercado subterrâneo, Klein voltou lentamente para a companhia Blackthorn, considerando se deveria ler documentos e praticar habilidades no escritório, ou aproveitar que o capitão Dunn ainda não proibia, continuar vagando por aí e desempenhar o papel de "Adivinho" no clube de adivinhação.

No entanto, antes que pudesse tomar uma decisão, ele viu entrando vindo de fora, vestindo um sobretudo preto e um chapéu meio alto.

— Capitão, como estão as coisas? — perguntou Klein com preocupação, pensando no paradeiro do caderno da família .

Os olhos cinzentos de Dunn não mostravam cansaço algum:

— Múltiplas confirmações indicam que o caderno da família Antigonus está nas mãos de Ryle Byrnes, mas ele desapareceu completamente.

Fim do capítulo 53