Na sala de estar, a Condessa Caitlyn estava sentada no sofá, diante dela estavam o vice-mordomo, o assistente do mordomo e os mordomos responsáveis pelos assuntos correspondentes.
Ela dava instruções claras e ordenadas sobre os vários preparativos para o jantar daquela noite, até que sua filha Audrey se aproximou.
— Mamãe, preciso falar com você. — O olhar de Audrey percorreu as outras pessoas na sala.
No caminho para a sala de estar, ela sentiu o chão tremer levemente duas vezes, mas não notou nada de anormal.
A Condessa olhou ao redor e assentiu levemente:
— Vocês podem entrar mais tarde.
A sala rapidamente ficou silenciosa, e até mesmo a grande cadela dourada
— Você deveria ficar mais ao meu lado, aprendendo a lidar com os assuntos. Embora seus cursos domésticos não sejam carentes desse conteúdo, saber como combiná-los efetivamente com a prática ainda é um conhecimento profundo. — A Condessa, com mais de cinquenta anos mas aparentando pouco mais de trinta, sorriu enquanto a aconselhava. — Bem, meu anjinho, o que você tem?
Audrey tentou esboçar o sorriso elegante que praticara repetidamente nas aulas de etiqueta, mas percebeu que não conseguia erguer os cantos da boca, estava pesada e tensa.
Ela humedeceu os lábios ressecados e falou diretamente:
— Mamãe, tenho coisas que escondi de vocês.
— Hmm? — A Condessa inclinou ligeiramente a cabeça, aguardando a explicação.
A fala de Audrey foi inicialmente hesitante, mas logo se tornou fluente:
— Eu já, eu já sou uma Extraordinária, ou seja, uma pessoa com habilidades mágicas, me tornei assim ao tomar uma poção mágica.
A Condessa Caitlyn, de cabelos loiros e olhos azuis, ergueu levemente as sobrancelhas e respondeu sem surpresa:
— Eu sei. Seu pai e eu sabemos.
— Ah? — Audrey não soube como continuar.
A Condessa cobriu a boca e riu:
— Você pegou tantos materiais mágicos do tesouro, e ainda achava que seu pai e eu não perceberíamos?
— Ao lado de seu pai, nesta mansão, nas terras da família, há vários Extraordinários, seja por simples relação de emprego, enviados pela igreja da Deusa, ou membros da própria família Hall. Sua Majestade permite essas coisas, e nós também permitimos sua pequena aventura. Ah, você vai crescer, amadurecer, seu pai e eu não podemos protegê-la sob nossas asas para sempre. Haverá momentos em que você precisará enfrentar coisas sozinha, e ter habilidades mágicas extras pode melhorar suas cartas na manga.
— Bem, pelo que sei do senso comum, os estágios iniciais não devem ser tão perigosos; a evolução leva um ano, dois ou até três anos. Por isso, seu pai e eu não estamos com pressa. Planejávamos esperar até sua maioridade para dar alguns conselhos e deixar você parar onde está.
Não, mamãe, seu senso comum está errado, você não sabe da existência do Método de Atuação. Se os materiais estiverem completos, posso me tornar a "Psicóloga" do Sequência 7 antes do Ano Novo... E não quero parar. A morte do Duque Negan me fez entender que este mundo não é tão estável e pacífico quanto eu pensava. Quero ter força para protegê-los em momentos críticos... O Sr. Fool está gradualmente despertando, e divindades malignas estão tentando descer. Embora eu ainda não seja madura e careça de experiência necessária, posso perceber a crise oculta e indescritível nessas coisas... Audrey sempre soube que os materiais extraordinários que pegou do tesouro eram um problema inevitável, mas alimentava a esperança de que seus pais não soubessem o uso específico daqueles itens, no máximo suspeitando que ela estava se envolvendo cada vez mais no círculo de entusiastas do ocultismo.
Depois de aliviar o peso no coração, ela evitou as recomendações da mãe e disse:
— Mamãe, depois eu entrei em uma organização secreta, do tipo mais acadêmico, que não adora divindades malignas. Perdoe-me por não poder dizer seu nome e detalhes, pois fiz um juramento.
Antes que a Condessa pudesse perguntar, ela adiantou o assunto principal:
— Recebi uma notícia hoje: a garota comum por quem o Príncipe Edsac se apaixonou é uma Feiticeira, e eles estão tramando algo.
Na verdade, não há conexão necessária entre suas duas falas; a primeira se refere à "Sociedade de Alquimia Psicológica", mas a fonte da segunda notícia é o Clube do Tarô, o Sr. Fool.
Com essa ordenação, cada uma de suas palavras é verdadeira, podendo ser confirmada por adivinhação, mas faria os outros acreditarem que a notícia veio da organização secreta "Sociedade de Alquimia Psicológica".
O sorriso no rosto de Caitlyn gradualmente desapareceu, e ela perguntou seriamente:
— Feiticeira?
Ela não sabia muito sobre o mundo misterioso, mas só o termo já lhe trazia sensação de maldade e inquietação.
Audrey assentiu rapidamente:
— Sim, uma "Feiticeira do Prazer".
— E o que me aterroriza mais é que seu nome é Tris Chic.
— O que há de errado com isso? — perguntou a Condessa, confusa.
— Dentro daquela organização, um membro viu o nome Chic em um livro antigo. — Audrey disse a mentira que acabara de inventar, sem falhas no tom, nas palavras, nas expressões ou na linguagem corporal. — Na Quarta Era ou antes, ele pertencia à Feiticeira Primordial.
Em seguida, ela acrescentou gravemente:
— É uma divindade maligna!
A Condessa Caitlyn não entendia o que "Feiticeira Primordial" significava, mas sabia bem o que implicava uma divindade maligna.
Ela ficou inquieta e perguntou mais rapidamente:
— Tem certeza?
— ...Não tenho certeza. — Audrey acreditava no Sr. Fool sem nenhuma dúvida, mas não podia dizer isso abertamente. — De qualquer forma, acho necessário pedir à realeza, não, aos Extraordinários da igreja da Deusa que confirmem. Em se tratando de divindades malignas, qualquer precaução é correta.