Leonard, com seus olhos verdes sorrindo, acenou para Klein e disse:
— Então, o que você precisa que eles forneçam?
Ele havia trabalhado com o velho Neil e outros várias vezes, então naturalmente entendia que a adivinhação precisava de um meio, especialmente quando o "protagonista" não estava presente.
Klein pensou por um momento, olhou para o mordomo Keely e disse:
— Preciso de roupas que Elliot vestiu recentemente e que ainda não foram lavadas, e se puder ter algum adereço que ele costumava usar, melhor ainda.
Ele tentou escolher meios normais, não algo que pudesse causar suspeitas das pessoas comuns.
Mas mesmo assim, o velho mordomo Keely estava confuso:
— Por quê?
Após perguntar, ele acrescentou:
— Eu trouxe uma foto do jovem mestre Elliot.
Por quê? Porque eles iriam usar adivinhação para encontrar o seu paradeiro… Klein não soube responder por um momento.
Se dissesse a verdade, sem mencionar a violação das cláusulas de confidencialidade, o velho mordomo Keely provavelmente iria embora, rasgar o contrato e amaldiçoar em seu coração: "Esses vigaristas! Se isso funcionasse, seria melhor eu procurar o médium mais famoso do condado de Ahowa!"
— Sr. Keely, meu companheiro, hã, colega, tem um animal de estimação peculiar, seu olfato é mais aguçado que o de um cão de caça, então precisamos das roupas que o jovem Elliot usou e dos itens que ele carregava para ajudar a encontrá-lo. Você sabe, as pistas geralmente apontam apenas para uma área aproximada.
— Quanto à foto, também precisamos dela, eu e ele precisamos saber como o jovem Elliot se parece.
O velho mordomo Keely aceitou a explicação, acenou lentamente e disse:
— Vocês esperam aqui ou vão comigo até a residência do Sr. Vickroll na cidade?
— Vamos juntos, para economizar tempo. — respondeu Klein de forma concisa.
Ele queria testar suas próprias habilidades extraordinárias e também tinha o desejo simples de salvar os outros.
— Certo, a carruagem está lá embaixo. — disse o velho mordomo Keely enquanto tirava uma foto em preto e branco do bolso e a entregava a Leonard.
Era uma foto individual de Elliot Vickroll; ele tinha cerca de dez anos, cabelos um pouco longos que quase cobriam seus olhos, sardas evidentes no rosto, sem muita aparência marcante.
Leonard deu uma olhada e a passou para Klein.
Klein observou com atenção, guardou a foto no bolso, pegou sua bengala, colocou o chapéu e seguiu os dois para fora da Empresa de Segurança Blackthorn, entrando na carruagem estacionada embaixo.
O interior da carruagem era bastante espaçoso, com carpete grosso e uma mesinha para colocar objetos.
Devido à presença do velho mordomo Keely, Klein e Leonard não falaram, sentindo silenciosamente a carruagem avançar suavemente sob a chuva que diminuía, sobre a estrada encharcada.
— Bom cocheiro. — depois de um tempo, Leonard quebrou o silêncio, elogiou com um sorriso.
— Hum. — Klein respondeu de forma evasiva.
O velho mordomo Keely forçou um sorriso:
— Seu elogio é uma honra para ele. Estamos quase chegando…
Como temiam ser notados pelos sequestradores, a carruagem não se aproximou da residência do comerciante de tabaco Vickroll, mas parou em uma rua próxima.
O velho mordomo Keely abriu o guarda-chuva e voltou sozinho. Enquanto esperavam, Leonard disse por si mesmo a Klein:
— Minha especulação da última vez não tinha outro objetivo, só queria te dizer que aquele caderno certamente aparecerá novamente, talvez em breve.
— Essa não é uma conclusão agradável. — Klein apontou com o queixo para a posição do cocheiro, indicando que com alguém presente, não deveriam discutir tópicos sensíveis.
Leonard assobiou e olhou pela janela, vendo gotas de chuva escorrendo pelo vidro, deixando marcas turvas, tornando o mundo exterior completamente borrado.
Depois de um tempo, Keely voltou carregando uma sacola, com as pernas da calça cheias de lama e manchas de água na frente devido à pressa.
— Estas são as roupas que o jovem mestre Elliot vestiu ontem, e este é o amuleto da tempestade que ele usava.
Klein pegou e viu que era um conjunto de roupas formais em miniatura: camisa pequena, colete pequeno, gravatinha, etc., etc.
O amuleto da tempestade tinha uma base de bronze, esculpida com símbolos que representavam vento forte e ondas, mas não despertou a intuição de Klein.
— Agora vou contar em detalhes como o jovem mestre Elliot foi sequestrado, para ajudar vocês a identificar o alvo… — o velho mordomo Keely sentou-se e repetiu a experiência de pesadelo daquela manhã, esperando que os ajudantes que ele havia encontrado pudessem ser úteis.
Klein e Leonard não tinham interesse nos detalhes específicos, apenas se importavam com quantos sequestradores havia, se eles mostraram algo incomum, se estavam armados.
— Três, normal, com armas… — depois de obterem as informações que queriam, eles se despediram do velho mordomo Keely e alugaram uma carruagem leve de duas rodas nas proximidades.
Diferente das carruagens públicas, estas podiam ser alugadas com quatro ou duas rodas, e o preço podia ser por quilômetro ou por tempo. No primeiro caso, 4 pence por quilômetro dentro da cidade, 8 pence nos arredores; no segundo, 2 soldos por hora, menos de uma hora conta como uma hora, mais de uma hora, cada 15 minutos adicionais custam 6 pence, menos de 15 minutos conta como 15 minutos. Em condições climáticas adversas ou em emergências que exigem velocidade, o preço podia aumentar ainda mais.
Klein já havia ouvido do instrutor Azik que, na capital
Para ele, isso era um luxo bastante caro, mas não precisava se preocupar no momento, pois Leonard jogou duas notas de 1 soldo para o cocheiro.
— Pelo tempo. — Leonard ordenou e fechou a porta do compartimento.
— Para onde vocês querem ir? — perguntou o cocheiro, segurando as duas notas, ao mesmo tempo feliz e confuso.
— Espere. — Leonard olhou para Klein.
Klein acenou levemente, pegou as roupas de Elliot e as estendeu no chão da carruagem, então enrolou o amuleto da tempestade na ponta de sua bengala.
Ele segurou a bengala preta com detalhes prateados e a colocou verticalmente sobre as roupas de Elliot.