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Lord of the Mysteries · Capítulo 37

Capítulo 37: O clube

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 874 palavras

Sob o sol escaldante da tarde, Klein saiu de casa.

Como precisava andar da Rua da Cruz de Ferro até a residência de Welch, ele trocou o terno formal, a cartola e as botas de couro por uma camisa de linho, um casaco marrom gasto, um chapéu de feltro de aba redonda da mesma cor e sapatos velhos de couro, para não ter que se preocupar com o cheiro de suor estragando aquele conjunto caro.

Ele caminhou lentamente pela Rua dos Narcisos em direção à Rua da Cruz de Ferro e, ao passar pela praça da esquina, olhou subconscientemente para lá.

As barracas já haviam desaparecido; o circo tinha terminado sua apresentação há muito tempo e partido.

Klein até imaginou que a domadora que lhe fizera a adivinhação era na verdade uma especialista oculta que, tendo descoberto sua singularidade, viera especificamente para orientá-lo, e que certamente haveria mais encontros e dicas. No entanto, nada disso aconteceu; ela seguiu com o circo para a próxima jornada.

Não há tantos clichês… Klein balançou a cabeça com um sorriso irônico e virou para a Rua da Cruz de Ferro.

A Rua da Cruz de Ferro não era uma rua única, mas, como o nome indica, a interseção de duas estradas.

Com o cruzamento como núcleo, ela se dividia em Rua Esquerda, Rua Direita, Rua Superior e Rua Inferior. O apartamento onde Klein, Benson e Melissa moravam antes ficava na Rua Inferior.

No entanto, os moradores do apartamento e arredores não consideravam a área como a Rua Inferior; eles cunharam o termo "Rua do Meio" para distingui-la da área de favela que se estendia cerca de duzentos metros adiante.

Lá, um único quarto podia abrigar cinco, seis ou até dez pessoas.

Caminhando pela borda da Rua Esquerda, a mente de Klein começou a divagar. Ele se lembrou do caderno da família , seu desaparecimento, a atenção dos Vigilantes Noturnos e o massacre que se seguiu.

Seu humor gradualmente se tornou pesado, e sua expressão escureceu.

Naquele momento, uma voz familiar chegou a seus ouvidos:

— Pequeno Klein.

Hã? Klein se virou confuso e se viu na entrada da "Padaria Slim". A Sra. Wendy, de cabelos grisalhos, acenava para ele com um sorriso suave.

— Você não parece muito… muito feliz? — disse Wendy com calor.

Klein esfregou o rosto:

— Um pouco.

— Não importa quantas preocupações você tenha, o amanhã sempre chegará — sorriu a Sra. Wendy. — Venha, experimente meu novo chá doce com gelo. Não sei se se adequa ao paladar local.

— Gente local? A senhora não é local, Sra. Slim? — Klein balançou a cabeça com divertimento.

Experimentar deve significar que é de graça, não?

Wendy Slim ergueu o canto da boca:

— Você acertou. Na verdade, sou do sul. Vim para Tingen com meu marido há mais de quarenta anos. Hehe, Benson ainda não tinha nascido, e seu pai e sua mãe nem se conheciam.

— Nunca me acostumei direito com a culinária do norte. Sempre sinto falta da comida da minha terra: salsichas de porco, pão de batata, panquecas, legumes fritos em banha de porco e carne assada com molho especial.

— Ah, e também chá doce com gelo…

Klein abriu um sorriso ao ouvir:

— Sra. Slim, esse é realmente um tópico que dá fome… Mas me sinto muito melhor. Obrigado.

— Comida boa sempre cura a tristeza. — Wendy entregou a Klein um copo de líquido marrom-avermelhado. — Preparei chá doce com gelo de memória. Prove para ver se está bom.

Depois de agradecer, Klein deu um gole. Ele sentiu que a bebida tinha um pouco do sabor do chá preto gelado da Terra, mas não tão forte, com um sabor de chá mais intenso e uma sensação mais refrescante, que dissipou instantaneamente o calor do sol escaldante.

— Excelente! — elogiou ele.

— Então estou aliviada. — Wendy riu, apertando os olhos, e observou com carinho enquanto Klein terminava o copo de chá doce com gelo.

Depois de conversar um pouco com a Sra. Slim sobre a mudança para a nova casa, Klein voltou para a rua que conhecia melhor.

À tarde, havia muito menos vendedores ambulantes aqui; eles só se reuniriam novamente depois das cinco e meia. Os que restavam estavam sem vida e murchos.

Assim que ele virou para aquela rua, seu humor inexplicavelmente se tornou sombrio, com uma sensação indescritível de opressão, depressão e escuridão.

O que está acontecendo? Ele percebeu agudamente que algo estava errado. Parou imediatamente e olhou ao redor, mas não viu nada estranho.

Depois de pensar um pouco, Klein levantou a mão e, como se estivesse refletindo, bateu levemente na testa duas vezes.

Seu campo de visão mudou: as auras dos vendedores ambulantes e de alguns transeuntes se tornaram visíveis.

Antes que pudesse examinar suas cores saudáveis, ele foi atraído pela intensa escuridão que representava as emoções.

Ele não conseguia discernir os pensamentos específicos dos observados, mas a impressão de pessimismo, entorpecimento e depressão ficou profundamente gravada em seu coração.

Olhando ao redor, percebeu que toda a área estava envolta nesse tom sombrio que nem mesmo a luz do sol conseguia dissipar.

Era a opressão acumulada ao longo de tantos dias, meses, anos.

Vendo isso, Klein de repente entendeu a razão.

Fim do capítulo 37