Quase instintivamente, Klein dobrou os joelhos, girou o quadril e rolou na outra direção, em direção à porta do banheiro.
Zás!
Uma pequena flecha de penas negras cravou-se na pia; a ponta, parecendo osso, brilhava num tom azulado, bem bonita.
Se Klein tivesse hesitado, não teria escapado do ataque repentino!
Parando o rolamento, Klein enfiou a mão no bolso, tentando sacar algumas cartas de Tarô.
Mas naquele momento, sentiu uma lufada de vento; pelo canto do olho, viu uma figura negra se aproximando em alta velocidade, com rapidez sobre-humana, chegando bem perto dele, e, com o pé arqueado, chutou de baixo para cima.
Vendo que não podia desviar, Klein abandonou a ideia, ergueu o cotovelo e bloqueou o golpe.
Pá! Todo o braço esquerdo ficou dormente instantaneamente, e seu corpo foi arremessado para trás incontrolavelmente, como no squash que a classe média adora ou no futebol popular entre os trabalhadores braçais.
Que força! O coração de Klein se apertou, mas sem pânico; no ar, ele ajustou o corpo, mudou de postura e mal conseguiu manter o equilíbrio, como um acrobata.
Puf! Puf, puf… Nesse momento, a zarabatana cor de casca finalmente caiu no chão do banheiro e quicou em direção à porta, perdendo velocidade.
Klein ia se esticar e ficar firme para o próximo ataque, quando outra imagem passou por sua mente:
O inimigo de preto se movia mais rápido do que ele imaginava, chegava antes do previsto, baixava o quadril, balançava o braço e desferia um soco no peito de Klein.
Num instante, Klein se encolheu de novo, deu mais meio giro, como uma bola que cai e é jogada para cima sem parar.
Pá!
De cabeça para baixo, apoiou as mãos no chão, abriu as pernas como uma tesoura, e o soco do homem de preto, não acertando nada, passou pelo vão e estourou o ar.
O golpe, originalmente visando o peito, depois da inversão do corpo de Klein só podia atingir as pernas, e pernas podem ser abertas.
Impulsionando e sustentando, recolhendo as pernas, Klein saltou agilmente para o lado e finalmente se firmou de pé.
Pá!
Antes que pudesse examinar o inimigo, a figura negra virou-se e apoiou-se de lado, produzindo um forte ruído de vento.
Que reflexos! Klein levantou os braços na frente do corpo.
Com um som abafado, sentiu como se um urso preto o tivesse atropelado; incapaz de suportar a força imensa, cambaleou para trás, os braços quase perdendo a sensibilidade.
Ao mesmo tempo, Klein finalmente reconheceu quem era o atacante.
Pele escura, magro e fibroso, olhos fundos: era o "Carrasco" da gangue Zimange, Mersault, o mesmo Mersault que tinha ido procurar o detetive Moriarty de manhã.
Pá pá pá! Mersault, com olhar feroz, perseguiu-o, braços em movimento, desferindo ganchos de esquerda e direita, desencadeando uma tempestade de golpes.
Klein estava claramente em desvantagem de força; não podia bloquear de frente e só graças à sua agilidade e pressentimento conseguiu esquivar essa sequência de golpes.
Não! Preciso usar minhas vantagens! Com esse pensamento, Klein parou de tentar lutar, abaixou-se e rolou para o lado.
Crunch! Uma cadeira foi despedaçada pelo chute de Mersault.
Apoiando-se com as mãos, Klein continuou rolando, procurando uma chance de pegar as cartas de Tarô e os talismãs caseiros.
Pis! Pis! Pis!
Mersault o alcançava rápido, alternando chutes, não muito mais lento.
Ele era como um urso dotado de agilidade, sem pontos fracos, e Klein, rolando, só conseguia desviar e bloquear, sem poder pegar cartas ou talismãs.
Crunch, bam, bam!
A cadeira quebrada, a mesa virada, o cabide caído; Klein deu a volta quase completa, sua situação se tornava cada vez mais precária.
Não podia continuar assim! Ele continuava desviando, rolando e dando cambalhotas, buscando qualquer chance de virar o jogo.
De repente, sua visão periférica captou a mesinha de centro da sala, e uma ideia veio à sua mente.
Bam! Bloqueando com uma mão e saltando para trás, Klein, suportando a dor, rolou para a área da sala.
Naquele momento, os músculos das pernas de Mersault incharam de repente, como se estivessem inflados.
Pis! O chão pareceu tremer; ele saltou como uma bala, chegou perto de Klein e desferiu um chute.
Klein bloqueou a duras penas e foi arremessado de novo, colidindo com estrépito contra a mesinha, enviando os jogos de chá de porcelana voando para o armário, e espalhando pelo chão uma caneta barriguda, contratos padrão e vários jornais.
Vendo o detetive em seu longo sobretudo preto cruzado, atordoado e sem forças, incapaz de se levantar ou rolar, os olhos de Mersault brilharam com ferocidade; entre o som da porcelana quebrada, ele deslizou para a frente e ergueu o joelho.
Klein observava com olhar profundo, já com um contrato padrão na mão.
Ele tinha rolado para a sala, ignorando os avisos do seu pressentimento, justamente para pegar um contrato padrão ou um jornal!
Vendo o joelho de Mersault vindo ferozmente em sua direção, Klein girou o pulso de repente.
Naquele momento, outra imagem surgiu em sua mente: a cabeça de Mersault inclinando-se para trás.
Zás!
Klein pressionou levemente o pulso e lançou o contrato.
Zás!
O contrato voou em direção à garganta de Mersault como um dardo de aço temperado. Não havia mais de um metro entre eles, e a distância diminuía a cada investida.