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Lord of the Mysteries · Capítulo 208

Capítulo 208: O guardião

27 de julho de 2018 · 6 min de leitura · 1.200 palavras

Dunn suspirou e disse: — Naquele momento, realmente queria te afastar porque o que ia fazer envolvia um segredo da Igreja e dos Vigilantes Noturnos, mas a morte de Cohen me deixou a cabeça confusa, e só pensei numa desculpa esfarrapada para te dar a oportunidade de voltar e ver.

— Que segredo? — perguntou Klein com bastante leveza.

Ele quase se esqueceu de que lá fora poderia haver uma progênie de um deus maligno ou uma criatura mitológica.

Dunn ponderou as palavras: — No domínio do misterioso, pode existir uma lei, eh, embora não tenha lido muitos livros, sei o que significa uma lei.

— Essa lei se chama a Lei da Não Extinção das Características Extraordinárias.

— As características extraordinárias não se destroem nem diminuem, apenas se transferem de um portador para outro.

Os olhos de Klein se arregalaram, e então ele compreendeu e perguntou pensativamente: — Por exemplo, quando um extraordinário perde o controle, deixa objetos selados, objetos mágicos ou ingredientes principais de poções?

— Sim. — Dunn assentiu gravemente. — Não só os extraordinários que perderam o controle... também os extraordinários que morrem de forma normal.

— Também... — Klein saboreou a descrição de Dunn e entendeu vagamente o que o capitão estava fazendo naquele momento.

Enquanto pensava, de repente lembrou de algo: após a morte do palhaço do fraque, ao lado do cadáver apareceu uma bola de sangue do tamanho de um polegar, flutuando no ar, com um tom azulado. Na época, Fry explicou que os extraordinários sempre têm mudanças estranhas após a morte.

Dunn, com seus olhos cinzentos profundos, continuou: — Mas, ao contrário dos extraordinários que perderam o controle, os que morrem de forma normal não deixam materiais ou objetos; deixam algo que é aproximadamente igual a uma poção, a poção da sequência correspondente, só que faltam alguns ingredientes auxiliares.

— Aproximadamente igual a uma poção? Aproximadamente igual a uma poção! — Os olhos de Klein se contraíram, e em sua mente foi como se um raio tivesse atravessado a escuridão infinita, iluminando-a.

De repente, ele entendeu muitas coisas, entendeu por que, mesmo com os materiais esgotados, o caminho extraordinário não se interrompia.

Além de usar substitutos, também se podia recorrer aos restos dos extraordinários correspondentes!

Esta deveria ser também uma das razões pelas quais nas sequências altas só se fornecem poções prontas. Outra razão é evitar que as receitas vazem através de métodos extraordinários como adivinhação ou mediunidade! — Klein deixou fluir uma série de conjecturas em sua mente.

Dunn olhou para a porta da sala de lazer dos Vigilantes Noturnos e explicou em voz baixa: — Há vários anos, eh... não me lembro exatamente quantos anos, na época eu ainda não era o capitão do time de Vigilantes Noturnos, e descobri esse problema por acaso. Depois de conversar com Daly, que tinha acabado de se tornar extraordinária, informei imediatamente ao Templo, que me pediu para manter segredo e me deu duas opções. Heh, por isso sou eu quem explica e não a Daly; quem divulga, assume a responsabilidade.

— A primeira opção é fingir que não sei, como a maioria dos capitães e oficiais dos Vigilantes Noturnos, e deixar que o Templo continue a dispor dos restos dos extraordinários que morrem de forma normal. A segunda é me darem um ritual especial e simples, junto com as técnicas correspondentes, para que eu possa consumir diretamente, dentro de um limite de tempo, os objetos que se formam pela acumulação de características. Isso só é aplicável ao seu próprio caminho, apenas a sequências iguais ou inferiores à sua.

— Isso vai fortalecer minhas características extraordinárias e me tornar mais poderoso. Quanto a habilidades relacionadas a sonhos, agora não estou muito atrás da sequência 6 correspondente, por isso me atrevi a enfrentar a senhora .

— Entendo... então existia tal coisa? — Klein exalou lentamente.

Finalmente entendeu por que antes não conseguia encontrar uma explicação razoável por mais que pensasse. Era simplesmente porque lhe faltavam conhecimentos prévios, nem a imaginação conseguia compensar!

Bem, isso se encaixa com a chamada "Lei da Não Extinção das Características"... Se acumular características assim, será que vai passar de quantidade a qualidade? — Klein divagou em pensamentos.

Olhando para ele, Dunn esboçou um sorriso amargo: — Escolhi a segunda opção, mas não para me tornar mais forte. Se realmente quisesse ser mais forte, o melhor e mais direto seria digerir a poção rapidamente e ascender.

— Sim. — Klein assentiu sinceramente. — Acumular características da mesma sequência ou de sequências inferiores no mesmo caminho, além de te fortalecer, não aumentaria o risco de perder o controle?

Dunn negou com seriedade: — Não. Isso é algo que fica dos extraordinários normais, não dos que perderam o controle. Bem, depois de conhecer o "Método de Interpretação", revisei novamente e descobri que isso dificulta a digestão.

— Então, por que você continuou? — perguntou Klein surpreso.

Dunn colocou a mão direita no bolso, procurando seu cachimbo, mas lembrou que o tinha deixado no escritório.

Riu com sarcasmo: — Já te disse, não consumi os restos deles para me tornar mais forte.

Ao dizer isso, fez uma pausa, seu olhar perdeu o foco enquanto observava a luz de gás tingida de azul profundo do outro lado, e continuou em voz baixa: — Todos eles foram meus companheiros... Passamos muitas coisas juntos, lutamos contra monstros na escuridão e hereges fanáticos. Alguém me salvou, e eu salvei muitos deles. Caminhamos pelas noites silenciosas, combatemos em lugares que o público não vê, enfrentamos o perigo e protegíamos as costas uns dos outros.

— Sinto muita falta deles. Lembro que o pequeno Itt desabou e chorou na primeira vez que enfrentou uma missão perigosa. Lembro de Adelaide, eh, é o pai de Rorsan, uma vez ele usou o braço para bloquear uma maldição maligna por mim. Lembro de Dawn, uma garota com uma calidez como a do amanhecer, que sempre registrava silenciosamente o que vivíamos. Lembro de Cohen, embora não fosse alto, sabia fazer muitas coisas: tocar harpa, cantar, contar histórias, era mais poeta que Leonard... Sinto muita falta deles.

— Desejava continuar lutando ao lado deles, enfrentar juntos os monstros na escuridão, executar esses hereges fanáticos, e proteger juntos a cidade de Tingen. Por isso, escolhi consumir o que deixaram.

Os olhos cinzentos de Dunn pareciam brilhar, e sua serenidade e profundidade se desfizeram naquele momento.

Esboçando um leve sorriso, continuou: — Em meus sonhos, eles ainda estão comigo. Adelaide, que amava ler, sempre ficava na sala de sol lendo. Sempre me pedia para disciplinar Rorsan para que ele amadurecesse rápido, a ponto de Rorsan sempre reclamar que eu estava me tornando como seu pai e me temer muito. O pequeno Itt não conseguia ficar parado, todo dia ia caçar na floresta. Dawn sempre ficava na janela do quarto dela, nos observando enquanto conversávamos. O recém-chegado Cohen fez uma harpa e tocava e cantava... Sinto muita falta deles.

— Capitão... — Klein murmurou involuntariamente, quase com a visão embaçada. Ele enxugou os olhos e amaldiçoou para si mesmo: Droga, capitão, você está me fazendo chorar...

Mas pelo menos agora entendo por que seu progresso com o "Método de Interpretação" é tão lento... — Klein suspirou silenciosamente.

Fim do capítulo 208