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Lord of the Mysteries · Capítulo 165

Capítulo 165: Pobre coitado

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 925 palavras

A cor do sangue refletiu-se nos olhos de Klein, refletindo-se no seu olhar quase congelado.

Naquele momento, de repente ouviu-se uma tosse leve vinda de dentro da casa, e o velho Neil disse com a voz rouca:

— Dunn, o que estão a fazer aqui?

Os olhos cinzentos de Dunn eram extremamente profundos, e ele respondeu com uma voz suave, sem pressa:

— Ouvimos que estavas doente, viemos visitar-te.

A sala ficou silenciosa por um momento, e depois de alguns segundos, o velho Neil gritou com raiva e medo:

— Não! Estás a mentir!

Antes que Klein e os outros pudessem falar, o seu tom tornou-se fraco:

— Sim, sei que o meu estado não está bem.

O velho Neil... Klein fechou os olhos com força, e o sangue que escorria pela fenda da porta não parava.

Em seguida, o velho Neil levantou a voz:

— Mas durante todo este tempo, não magoei ninguém, nem pensei em magoar ninguém! Não o fiz, não traí nenhum segredo importante dos Vigias Noturnos. No máximo, no máximo reembolsei algumas despesas que não deveria ter reembolsado. Realmente não fiz coisas más!

— Klein — disse ele de repente no seu tom habitual—, eu disse-te que o lema do Espreitador de Mistérios é «Faz o que quiseres, mas não causes dano». Sempre me mantive fiel a esta frase. Prefiro suportar, prefiro esperar, do que fazer coisas que magoam os outros.

Dito isto, ele suplicou com medo:

— Dunn, Loyao, Klein, voltem, voltem. Esperem até amanhã, amanhã voltarei ao normal. Juro, juro pela Deusa, não magoarei ninguém, a sério!

Dunn fechou os olhos e perguntou com um tom muito suave:

— O que é que realmente queres fazer? O que tens estado a tentar?

— Eu? — o velho Neil primeiro ficou confuso, depois disse com anseio—: Estou a tentar ressuscitar a Sarist, Dunn. Encontrei o caminho, estou no caminho certo!

— Deverias ter ouvido que quando realizei a magia ritual, cometi um erro. Não consegui curar a sua doença, não consegui salvá-la. Sei que é porque o meu domínio do ocultismo não era suficientemente bom. E agora, tenho conhecimento e experiência suficientes para conseguir tudo isso. É uma pena que não tenha conseguido inspirar-me no lema do Espreitador de Mistérios e no exemplo de Daly, e perdi a melhor oportunidade. Se, se eu fosse um poderoso de alto nível, as coisas seriam muito fáceis. — Enquanto falava, a voz do velho Neil tornou-se um pouco chorosa. — Não, não posso mais desistir... Dunn, voltem, voltem, eu imploro-vos.

Klein apertou os dentes, ao ouvir a voz do capitão ligeiramente trémula enquanto perguntava:

— Como planeias ressuscitar a Sarist?

O velho Neil de repente ficou animado:

— Usarei o método de «Forja de Vida» para preparar-lhe um corpo que não envelheça. Dunn, talvez não saibas, a Sequência 4 da Igreja da Mãe Terra é especialista em «Forja de Vida», e a Sequência correspondente do caminho «Erudito» também pode fazê-lo com dificuldade. Hum, vou consegui-lo com a ajuda dos deuses.

— Depois, convocarei a sua alma do Mundo Espiritual e pedirei a ajuda dos deuses para reunir o espírito e a carne.

— Não é uma ótima ideia?

Dunn forçou um sorriso e disse:

— Sim, uma ótima ideia. Velho Neil, deixa-nos entrar. Talvez possamos ajudar-te.

— ...Dunn, ainda não queres deixar-me ir? — suplicou o velho Neil—. Voltem, voltem. Amanhã voltarei ao normal. A sério, Dunn, juro, não roubarei mais os teus grãos de café. Klein, Loyao, juro, não vos farei ajudar-me a reembolsar despesas indevidas. A sério!

Na visão um pouco desfocada de Klein e Loyao, Dunn baixou a cabeça, depois levantou-a e disse:

— Velho Neil, interpretaste mal. Viemos visitar-te. És nosso companheiro. Estás doente, o teu estado não está normal. Definitivamente viemos visitar-te. Abre a porta, deixa-nos ver, deixa-nos ficar tranquilos. Se realmente não tiveres nenhum problema grave, iremos imediatamente. Sabes, ultimamente há muitas tarefas. Temos de vigiar o manicómio enquanto lidamos com várias emergências.

O velho Neil hesitou e disse:

— Realmente não tenho nenhum problema grave. A sério, amanhã recuperarei.

O líquido vermelho-sangue que escorria pela fenda da porta principal fluía pelos degraus para o caminho de pedra e para a terra do jardim.

— Velho Neil, conhecemo-nos há 15 anos, certo? Trabalhámos juntos em inúmeras tarefas. Preocupo-me contigo, preocupo-me contigo. Preciso de ver-te com os meus próprios olhos para ficar tranquilo. — disse Dunn com voz suave.

— ...Está bem, está bem. — murmurou o velho Neil. — Realmente não tenho nenhum problema.

Com um rangido, a porta principal abriu-se lentamente. Klein rapidamente levantou a mão para esfregar os olhos, devolvendo a sua visão ao normal.

Então, ele viu o tapete do vestíbulo coberto por um líquido sanguinolento, pegajoso e de pelo comprido.

Olhando para a frente e gradualmente para cima, descobriu que o chão, o teto, a mesa redonda, o piano e as cadeiras da sala de estar também estavam cobertos por um líquido nojento, pegajoso, sanguinolento e com densos pelos curtos e pretos.

A cabeça branca do velho Neil estava suspensa no ar, ligada ao teto por uma mucosidade espessa, e na sua testa e bochechas tinham crescido dois pares de olhos: olhos frios sem pestanas.

As teclas do piano saltavam sozinhas, tocando uma melodia bonita e melódica.

— Dunn, vês, realmente não tenho nenhum problema grave. — disse o velho Neil com um sorriso radiante. — Loyao, Klein, vocês também pensam isso, certo?

Assim que abriu a boca, Klein viu que dentro fluía um líquido pegajoso, sanguinolento e com pelos curtos e pretos.

Fim do capítulo 165