Pular para o conteúdo

Lord of the Mysteries · Capítulo 15

Capítulo 15: Convite

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 877 palavras

— Por quê? — Ao ouvir as palavras de Dunn, o coração de Klein se agitou feito uma tempestade, e a pergunta escapou instintivamente.

Será que os Beyonders tinham sérios defeitos ocultos? A ponto de até os tribunais da Igreja e os próprios Beyonders que lidavam com eventos anormais estarem sujeitos a problemas?

entrou no vagão, sentou-se no lugar anterior, mantendo a expressão e o tom de sempre.

— Isso não é algo que você precise saber, nem algo que você possa saber, a menos que se torne um de nós.

Klein ficou sem palavras por um momento. Sentou-se e perguntou com um tom metade divertido, metade perplexo:

— Como posso tomar uma decisão de me juntar a vocês se não entender isso direito?

E sem se juntar, não podia saber… era um ciclo vicioso…

Dunn Smith tirou seu cachimbo novamente, levou-o ao nariz e aspirou o aroma:

— Você deve ter entendido mal. «Ser um de nós» inclui o nosso pessoal civil.

— Em outras palavras, assim que eu me tornar um membro do seu pessoal civil, poderei entender os segredos relevantes, aprender sobre os perigos ocultos e riscos potenciais de ser um Beyonder, e então considerar se devo me tornar um Beyonder? — Klein organizou seus pensamentos e reformulou o significado do outro com suas próprias palavras.

Dunn riu e disse:

— É isso, exceto por um ponto. Não é porque você considera se tornar um Beyonder que necessariamente conseguirá. Neste aspecto, todas as grandes Igrejas são igualmente rigorosas.

Seria estranho se não fossem rigorosos... — Klein resmungou em pensamento, e perguntou com um gesto enfático:

— E o pessoal civil? Isso também deve ser muito rigoroso, não?

— Para alguém como você, não deve ser um problema. — Dunn semicerrrou os olhos, sua expressão relaxou ligeiramente enquanto cheirava seu cachimbo, sem acender o tabaco.

— Por quê? — Klein ficou intrigado novamente.

Ao mesmo tempo, começou a zombar de si mesmo internamente: Será que minha singularidade, minha aura de transmigrador, é como um vaga-lume na noite… tão brilhante, tão destacada?

Dunn abriu seus olhos semicerrados, suas pupilas cinzas tão profundas quanto antes:

— Primeiro: sobreviver a um incidente como este sem a nossa ajuda mostra que você tem uma qualidade que o diferencia dos outros... sorte, por exemplo. E pessoas de sorte são sempre bem-vindas.

Vendo a expressão ligeiramente atordoada de Klein, ele sorriu levemente:

— Tudo bem, considere isso uma forma humorística de dizer. Segundo, você é um graduado em história pela Universidade de Hoy, algo de que precisamos muito. Embora aquele seguidor do Lorde das Tempestades, o Lurmi, tenha uma atitude deplorável em relação às mulheres, seus pontos de vista sobre sociedade, humanidades, economia e política ainda são incisivos. Ele disse que o talento é o fator chave para manter uma vantagem competitiva e garantir um bom desenvolvimento. Neste ponto, concordo plenamente.

Notando a leve carranca de Klein, ele explicou casualmente:

— Como você provavelmente pode imaginar, frequentemente entramos em contato com documentos e artefatos da Quarta Época e até mesmo anteriores. Muitos cultos e vários hereges tentam extrair poder dessas coisas. Às vezes, elas próprias causam eventos bizarros e aterrorizantes.

— Exceto os Beyonders em campos específicos, a maioria de nós não é muito boa em estudar, ou melhor, já passamos daquela idade. — Dizendo isso, Dunn Smith apontou para sua própria cabeça, o canto de sua boca se erguendo como em autodepreciação. — Aquele conhecimento árido e entediante sempre dá sono. Nem mesmo um Sem Sono consegue resistir. Antigamente, costumávamos colaborar com historiadores e arqueólogos, mas havia o risco de vazar segredos, e também podia trazer encontros ruins para aqueles professores e associados. Portanto, ter um profissional se juntando a nós, tornando-se um de nós, é uma coisa boa difícil de recusar.

Klein assentiu levemente, aceitando a explicação de Dunn, e perguntou com a mente divagando:

— Então por que vocês não simplesmente… hã… recrutaram um antes?

Dunn continuou, como se falasse sozinho:

— Este é o terceiro e mais importante ponto. Você já foi exposto a incidentes semelhantes, então convidá-lo não viola nenhuma cláusula de confidencialidade. Se eu recrutasse outra pessoa e falhasse, seria responsável pelo vazamento de segredos. A grande maioria dos nossos membros da equipe e pessoal civil vem de dentro da Igreja.

Depois de ouvir em silêncio, Klein perguntou curioso:

— Por que vocês são tão rigorosos em manter segredo? Se muitas coisas fossem divulgadas, espalhadas, deixando mais pessoas saberem, isso não evitaria que os mesmos erros acontecessem novamente? O maior medo vem do desconhecido. Podemos transformar o desconhecido em conhecido.

— Não, a estupidez humana supera a sua imaginação. Isso, em vez disso, levaria a mais imitações, mais caos e incidentes mais graves. — Dunn Smith balançou a cabeça em resposta.

Klein fez um «hum» compreensivo e disse com algum entendimento:

— A única lição que a humanidade aprende da história é que a humanidade não consegue aprender nenhuma lição da história, sempre repetindo as mesmas tragédias.

— Essa famosa citação do Imperador Roselle é realmente cheia de filosofia. — Dunn expressou sua concordância.

… O Imperador Roselle disse isso? Esse transmigrador sênior realmente não deixa espaço para as gerações posteriores se exibirem de nenhum ângulo… Klein ficou sem palavras por um momento.

Fim do capítulo 15