Depois de ler as marcas impressas no papel, Pacheco virou a cabeça e disse a Patton, ao lado: — Os próximos assuntos serão bastante complicados. Buscarei a ajuda da polícia.
— E você pode voltar para a fundação e aguardar as perguntas seguintes.
Patton, fitando o papel, ao ouvir isso não só não ficou desapontado, como até sentiu alívio. Assentiu rapidamente e disse: — Tudo bem.
Depois de ler os vestígios deixados por Fornar, o instinto disse a Patton que a situação seria muito perigosa.
E como uma pessoa comum, evitar o perigo é uma escolha instintiva.
Claro que também porque Fornar era apenas um amigo casual, não valia a pena correr grandes riscos por ele.
Terminada a resposta, Patton virou-se imediatamente e, passando entre o dono do hotel e o empregado, saiu para a rua.
Desta vez, ele não escolheu transporte público, subiu em uma carruagem de aluguel.
A saída de Patton era um assunto especial e urgente, e com o subdiretor do Departamento de Conformidade como testemunha, a despesa poderia ser reembolsada.
E gastar o dinheiro da fundação e o próprio salário eram sensações completamente diferentes.
No caminho, Patton olhou pela janela e não conseguiu deixar de pensar no estado atual de Fornar: «Ele ainda está vivo?
«O cheiro de sangue no quarto era tão forte…
«Espero que ele ainda esteja vivo. Que o Senhor o proteja.
«Se ele ainda estiver vivo, onde estará agora?
«Onde…
«Será que?
«Isso!»
Num turbilhão de pensamentos, Patton de repente pensou em uma possibilidade e rapidamente ordenou ao cocheiro que mudasse a rota e fosse para o seu bairro.
Logo depois, ele chegou em casa.
— Aconteceu alguma coisa? — sua esposa se aproximou, com ar surpreso.
Faltava muito para a hora do almoço, e mais ainda para o fim do expediente.
Patton não tirou o chapéu, nem o sobretudo, não respondeu à pergunta e perguntou diretamente: — Fornar veio aqui?
— Ele veio vê-lo há um quarto de hora. Mandei-o esperar no escritório e enviei Wells à fundação para procurá-lo — respondeu sua esposa com sinceridade.
Wells era o criado deles, e obviamente um quarto de hora não era suficiente para ele chegar à «Fundação Loen de Coleta e Proteção de Antiguidades».
Isso foi o que mais surpreendeu a esposa de Patton.
— Hum — assentiu Patton com força, atravessou rapidamente a sala de estar, subiu ao segundo andar e entrou no escritório.
No escritório, as janelas estavam abertas, as cortinas balançavam levemente e não havia ninguém.
— Fornar? — chamou Patton, mas não houve resposta.
Ele saltou pela janela… Patton franziu a testa, olhou ao redor com atenção e notou que vários livros em sua estante estavam fora de ordem.
Era uma coleção de livros de história em três volumes.
O hábito de Patton era organizá-los da direita para a esquerda, mas agora estavam da esquerda para a direita.
Ele respirou fundo em silêncio, aproximou-se rapidamente e puxou os três volumes.
Após um exame cuidadoso, descobriu que uma página no volume do meio estava dobrada.
Ele rapidamente virou para essa página e desdobrou o canto.
Nela estava escrito a lápis uma frase com letra apressada: «Os sobreviventes da Quarta Época estão adorando um deus maligno».
Patton ofegou, alarmado e aterrorizado, e enfiou o livro de volta na estante bruscamente.
Sem pensar muito, ele saiu correndo do escritório e foi para as escadas, com a intenção de encontrar Pacheco, o subdiretor do Departamento de Conformidade, contar-lhe sua descoberta e pedir que chamasse a polícia para proteger sua família.
Ao sair de casa, Patton diminuiu o passo e considerou uma questão importante: Onde encontrar Pacheco?
No Hotel Clough, na Delegacia Geral de Polícia de Storn, ou na fundação?
Após uma breve reflexão, Patton decidiu voltar à fundação e procurar outro funcionário do Departamento de Conformidade.
Naquele momento, uma carruagem de aluguel parou em frente à sua casa, e Pacheco Dawn desceu.
— Descobrimos que Fornar veio à sua casa novamente — explicou rapidamente o subdiretor de Conformidade.
Patton suspirou aliviado e respondeu sem hesitação: