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Lord of the Mysteries · Capítulo 1249

Capítulo 1241: Maré (Primeiro dia do Ano Novo, Ano do Rato — Grande Sorte)

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 868 palavras

De madrugada, o conde Hall acordou na hora de costume e fez uma caminhada pelo seu jardim e gramado.

Depois de inspecionar seus amados cavalos puro-sangue, voltou ao terceiro andar da vila para trocar de roupa para sair. Sua esposa Catherine já havia se levantado e estava dando instruções à camareira sobre alguns afazeres que acabara de pensar.

— Está na hora do café da manhã — disse o conde Hall com um sorriso, parado junto ao cabide, dirigindo-se à esposa.

Nesse momento, ouviu uma algazarra lá fora, que ficava cada vez mais alta e se aproximava, sem diminuir.

Franzindo ligeiramente as sobrancelhas, o conde Hall olhou de soslaio para seu criado particular.

Sem esperar que o nobre falasse, o criado foi até a janela e afastou a cortina de gaze restante.

Com um sussurro, mais luz entrou no quarto, clara e límpida.

O criado olhou pela janela, examinou a esquerda e a direita, e sua expressão subitamente se tornou grave.

Ele se virou, lançou um olhar para a condessa que ainda conversava com a empregada, e se apressou até o conde Hall. Abaixando a voz, disse:

— Uma manifestação! Muita gente está manifestando!

Uma manifestação? O conde Hall não era estranho à palavra. Como um alto nobre de Loen e o segundo maior acionista do Consórcio de Carvão e Aço de Conston, ele havia testemunhado muitas reuniões de trabalhadores exigindo aumentos salariais semanais e limites de jornada. No último mês ou dois, vira várias protestos por diversos problemas, mas todos foram rapidamente suprimidos sem grande impacto.

Ele deixou o olhar percorrer o rosto do criado por alguns segundos, semicerra os olhos, e percebeu agudamente que a manifestação de hoje poderia ser diferente do que imaginava.

Sem mudar de expressão, ele se aproximou da janela.

Ao olhar, o olhar do conde Hall congelou.

De sua posição no terceiro andar, ele viu uma massa escura de pessoas na estrada distante, aglomeradas e avançando em sua direção, como uma nuvem gigante prestes a engolir Backlund.

— Pão!

— Queremos pão!

Os gritos de milhares, dezenas de milhares ou mais se fundiram, tornando-se mais altos e claros, fazendo o couro cabeludo do conde Hall formigar.

Ele vira multidões tão grandes muitas vezes durante as missas maiores na Praça Memorial, e ouvira vozes se sobrepondo; mas naquela época ele fazia parte da multidão, era parte do todo. Hoje, ele era um dos alvos dessa "maré" avassaladora.

O conde Hall não pôde deixar de olhar para trás ao longo da procissão e não viu fim. No entanto, com sua vasta experiência nesses assuntos, ele podia fazer julgamentos com base nos detalhes que observava.

Os policiais e soldados que ele podia ver nos lados da manifestação eram muito poucos, como pequenas ondas levantadas pela maré do oceano, insignificantes em comparação com a imensa multidão.

O conde Hall acreditava que uma manifestação voltada para o Distrito de Queens certamente encontraria o controle mais forte — não era possível que não tivessem enviado um grande número de soldados e policiais. A situação atual só podia significar uma coisa:

O número de participantes era simplesmente grande demais!

Tão grande que os soldados e policiais estavam espalhados demais!

Uma manifestação de mais de cem mil pessoas? Talvez até mais... Uma marcha causada pela escassez de alimentos pode se transformar em tumultos e saques a qualquer momento... Ainda parece ordenada... Porque há muitos organizadores e líderes? Droga, será que o e as principais igrejas não notaram nenhum sinal? Como se poderia organizar uma manifestação desse porte em uma noite? Mesmo que Backlund tenha se tornado um barril de pólvora, são necessários muitos fósforos para acendê-lo! Pensamentos passavam pela mente do conde Hall um após o outro, e sua expressão se tornava cada vez mais sombria.

— Pão!

— Queremos pão!

Os gritos se tornaram mais uníssonos, mais altos, como se um tsunami tivesse atingido a cidade.

Nesse momento, os criados na mansão do conde Hall perceberam a agitação. Foram até as janelas e olharam para fora do portão.

Seus rostos imediatamente empalideceram, como se estivessem enfrentando uma enchente que rompeu uma barragem e não pudessem escapar.

— Pão!

— Queremos pão!

Inúmeras vozes se fundiram; a massa densa de cabeças exercia uma pressão avassaladora.

O conde Hall despertou, e seu instinto foi enviar um telegrama à família real para que enviassem o exército para reprimir a manifestação.

Mas, observando mais de perto, notou que muitos na manifestação usavam uniformes militares e apresentavam sinais de deficiência.

— Pão!

— Queremos pão!

Os soldados mantendo a ordem olhavam para a procissão com cautela e simpatia; seus fuzis apontavam para o céu.

Entre essas pessoas estavam seus antigos companheiros, seus pais, esposas e filhos, seus amigos e vizinhos, e uma grande quantidade de pessoas vivas, respirando, iguais a eles, que só queriam não morrer de fome. Como não sentir compaixão e simpatia?

Esses sentimentos talvez tenham começado com apenas cinco ou seis soldados e policiais, mas logo se espalharam para quase todos.

No passado, sob a vigilância das pistolas dos oficiais, eles teriam obedecido cegamente a qualquer ordem. Mas agora, muitos pensavam:

— Se algum filho da puta me mandar atirar, eu atiro nele primeiro!

— Pão!

— Queremos pão!

Fim do capítulo 1249