Pular para o conteúdo

Lord of the Mysteries · Capítulo 123

Capítulo 123. Batalha Transcendental

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 864 palavras

Fora da janela de vidro, galhos e vinhas cresciam desordenados, decadentes e sombrios. O rio escorria em silêncio, refletindo pontilhados de luz estelar, enquanto as casas próximas emanavam um brilho acolhedor e quente.

O silêncio chegara ao extremo, como se aguardasse a chegada da noite.

Triss — cujas feições individualmente não eram especialmente refinadas, mas cuja combinação resultava numa beleza extraordinária — desviou o olhar, caminhou depressa até o cabide e retirou uma longa preta capuzida.

Vestiu-a rapidamente, abotoou, apertou o cinto, puxou o capuz para cima e transformou-se numa assassina.

Ergueu a mão direita e passou-a diante do rosto, tornando as feições sob o capuz borradas e indefinidas.

Em seguida, pescou do bolso oculto na cintura um punhado de pó fluorescente e, acompanhando-o com murmúrios de um feitiço, espalhou-o sobre si mesma.

A silhueta de Triss começou a desaparecer polegada a polegada, como se os traços fossem um desenho a lápis sendo apagado por uma borracha.

Invisível, abandonou o quarto em completo silêncio, atravessou para o cômodo do lado oposto e empurrou a janela sem grades.

Com um salto leve, pousou sobre o peitoril, olhando para baixo: o gramado nos fundos do edifício, a cerca de ferro quase fundida com a escuridão da noite, e "o Ceifeiro" Fry, que escalava o muro em silêncio.

Inspirou e desceu como uma pluma, pousando sobre a grama sem produzir o menor som.

Fry — vestindo um sobretudo preto, segurando um revólver especializado, de nariz alto e lábios finos — examinava cautelosamente os dois lados, à procura de fantasmas vingativos ou espíritos malignos que pudessem aparecer.

Ele conseguia enxergá-los diretamente!

Triss aproximou-se dele sem ruído, contornou-o até ficar atrás dele e, sem que ela mesma soubesse quando, uma adaga "pintada de negro" apareceu em sua mão.

Pff!

Seu movimento foi rápido como o vento — a adaga perfurou as costas de Fry, na altura dos rins.

Mas foi exatamente nesse instante que tudo o que ela via diante de si estilhaçou de repente, como uma ilusão se desfazendo.

Triss percebeu que ainda estava de pé no peitoril, ainda olhando para o gramado, ainda olhando para a cerca de ferro.

Só que do lado de fora da cerca não havia mais apenas "o Ceifeiro" Fry — havia também Leonard Mitchell, mirando na janela, e Dunn Smith, de olhos cerrados, pressionando a testa com os dedos, com o corpo semicurvado. Ao redor do capitão dos Falcões Noturnos, ondulavam círculos e círculos de ondas invisíveis.

As pupilas de Triss se contraíram. Ela entendeu que tudo aquilo não passara de um sonho — em algum momento, adormecera!

Pang! Pang! Pang!

Leonard e Fry dispararam três tiros no total, acertando com precisão o alvo invisível que ainda parecia não ter despertado do sonho.

Craque!

A silhueta de Triss surgiu à tona — primeiro rachou-se, depois fragmentou-se em pedaços, transformando-se em estilhaços de espelho de prata com superfície áspera!

Dentro da casa, Triss — que usara a magia de substituição — virou-se e correu em disparada, seguindo pelo corredor e pelas escadas até o rés-do-chão.

Uuuu! Neste andar, um vento frio a ponto de congelar soprava sem trégua, e dezenas de figuras invisíveis e transparentes vagueavam, ausentes e entorpecidas, por todos os lados.

Triss, tendo perdido o efeito de invisibilidade, sentia sua temperatura cair um pouco a cada vez que atravessava uma daquelas presenças semelhantes a fantasmas, e quando finalmente chegou ao altar, já não conseguia conter os calafrios.

O altar era uma mesa redonda. No centro, havia uma estatueta de deus esculpida em osso branco.

A estatueta tinha o tamanho da cabeça de um homem adulto, com traços vagamente perceptíveis nos olhos e sobrancelhas — parecia ser uma mulher de beleza extraordinária.

Seus cabelos estendiam-se da cabeça até os tornozelos, cada um nítido e espesso, como serpentes venenosas, como tentáculos.

E no topo de cada fio de cabelo, crescia um olho — uns fechados, outros abertos — densamente enfileirados.

Ao redor daquela estatueta sinistra, deitavam-se desordenadamente numerosos bonecos, de fabricação tosca, com nomes e informações correspondentes escritos neles — por exemplo, Joyce Meyer.

Sobre a mesa redonda havia ainda três velas, cujas chamas amareladas e esverdeadas oscilavam no vento frio e uivante.

Triss inclinou-se diante da estatueta e rapidamente recitou uma fórmula mágica.

Depois, afastou os bonecos, apagou as velas e ergueu a estatueta.

Uuuu!

O som do vento tornou-se de repente agudo e lasto, fazendo as janelas fechadas sacudirem violentamente.

Craque! Crac! Os vidros se estilhaçaram, e o vento frio e sem vida soprou em todas as direções.

Do outro lado, Fry — que não ousara entrar temerariamente na área do altar — tremeu de repente, sentindo seu sangue esfriar e congelar, percebendo que seus movimentos se tornavam visivelmente mais lentos.

Nesse instante, seu tornozelo foi apertado com força, como se algo invisível o agarrasse firmemente.

Uma sensação ainda mais gélida subiu a partir do ponto de contato. Qualquer outro Transcendente de Sequência 9 teria ficado paralisado e rígido, mas Fry, como "Ceifeiro", não era estranho a esse tipo de estado.

Virou o cano do revólver e puxou o gatilho apontando para o lado do tornozelo, como se pudesse ver quem era o inimigo e onde exatamente ele se encontrava.

Pang!

Fim do capítulo 123