Pular para o conteúdo

Lord of the Mysteries · Capítulo 1219

Capítulo 1212: Impossível de imaginar (Último dia do dobro – implorando votos mensais)

17 de janeiro de 2020 · 4 min de leitura · 771 palavras

A carruagem seguia lentamente pela estrada, e Audrey involuntariamente voltou a olhar pela janela.

Muitos pedestres estavam à beira da estrada, olhando fixamente para os cavalos que puxavam a carruagem, com os olhos praticamente brilhando em verde. Os sortudos que conseguiram obter comida atravessavam a rua às escondidas, correndo para suas casas.

Patrulhas de policiais em uniformes preto e branco percorriam as ruas, com revólveres nos cintos e cassetetes nas mãos, intimidando qualquer um tentado a arriscar.

— Ultimamente, nem nos atrevemos a sair sozinhas na rua… — murmurou baixinho , sua criada pessoal.

Audrey assentiu levemente, sem responder.

Depois de um tempo, a carruagem chegou à Rua Pesfield e parou na borda da praça em frente à Catedral de São Samuel.

As bandos de pombas brancas que costumavam se reunir ali haviam desaparecido; a praça estava vazia.

O Fundo de Assistência Estudantil de Loen, bem como o Fundo de Alívio da Pobreza de Loen e o Fundo Médico de Caridade de Loen, todos haviam se mudado do nº 22 da Rua Pesfield para alguns pequenos cômodos dentro da catedral, porque o prédio onde estavam originalmente havia desabado durante os recentes ataques aéreos.

Para os funcionários desses três fundos, essa foi uma lembrança aterrorizante. Se não tivessem deixado o nº 22 da Rua Pesfield mais cedo por várias razões, teriam se tornado vítimas.

Ao descer da carruagem e passar pelo portão, Audrey viu uma jovem de cabelos pretos, olhos castanhos e rosto magro se aproximando.

Antes que a garota pudesse falar, Audrey tomou a iniciativa:

— Melissa, ainda há alimentos para distribuir?

Melissa balançou a cabeça com expressão sombria:

— Até mesmo os soldados feridos que ajudamos não conseguem comida suficiente…

Os olhos verdes de Audrey escureceram um pouco, mas ela não mostrou sua impotência ou fraqueza, e assentiu levemente:

— Vou dar um jeito.

…………

— Da Cidade de Prata…

— De além da Terra Amaldiçoada…

As palavras de Gehrman Sparrow ecoaram nos ouvidos de Adar, Xin e Rus, membros da equipe de caça da cidade lunar, deixando-os atordoados, como em um sonho do qual demoraram a sair.

Assim que Adar estava recuperando a compostura e ponderando suas palavras, Xin, que nascera sem nariz, fez uma série de perguntas com entusiasmo:

— Onde fica a Cidade de Prata? Como é? Que distância é daqui?

— Quantas pessoas normais existem além da Terra Amaldiçoada?

Klein olhou para ela e respondeu com voz inexpressiva:

— A Cidade de Prata fica do outro lado desta terra amaldiçoada. Eles descobriram uma planta que pode ser comida com segurança, chamada grama de cara preta. Isso lhes permitiu manter a estabilidade da população, explorar as profundezas da escuridão e buscar uma saída.

— Recentemente, também encontraram alguns cogumelos que se alimentam da carne e do sangue de monstros, gerando frutos sem venenos ou loucura.

— A Cidade de Prata se livrou ainda mais da loucura; quando a nova geração crescer, nem mesmo os idosos perderão o controle tão facilmente…

Essas palavras fizeram Adar e Xin se sentirem desolados, como se seus próprios esforços tivessem perdido todo o sentido.

A vida na Cidade de Prata descrita por Gehrman Sparrow era a cena mais bonita que podiam imaginar, e alguém a possuía tão simplesmente.

— …Há deformados entre os recém-nascidos deles? — perguntou Xin com voz sonhadora.

Klein balançou a cabeça:

— Quase nenhum.

— Os pais deles, quando sua condição piorar… não, quando envelhecerem, eles mesmos se internam nas profundezas da escuridão? — perguntou Adar involuntariamente em seguida.

Klein, vestindo um sobretudo preto, cartola e segurando uma lanterna, respondeu:

— Não.

— Porque eles carregam a maldição do assassinato de parentes. Se uma vida não terminar pelas mãos de um consanguíneo, ela se transformará em um terrível espírito maligno ou monstro.

Os membros da equipe de caça da cidade lunar finalmente recuperaram um pouco da realidade; seus corações eram como um lago aquecendo lentamente, soltando bolhas uma após a outra.

Essas bolhas eram frágeis, ocas, estouravam ao toque, sem nada dentro, mas brilhavam com algo chamado esperança e luz.

Rus, cujos olhos quase se juntavam, não pôde deixar de repetir a pergunta que Xin fizera antes:

— Quantas pessoas normais existem além da Terra Amaldiçoada?

Klein olhou para eles com uma expressão ligeiramente complexa e disse:

— A maioria é normal. Não precisam temer constantemente ataques de monstros, nem estar na escuridão, nem enlouquecer na velhice, nem suportar várias maldições. Todas as manhãs acordam com a luz do sol, todos os dias têm comida suficiente, todas as noites a lua vermelha nasce…

Mas tudo isso está sendo destruído agora… — acrescentou Klein em silêncio para si mesmo.

Fim do capítulo 1219