Ren Zu seguiu seu próprio caminho de vida único, desprendendo-se da Porta da Vida e da Morte, mas ficou perdido no Abismo Comum.
Ele vagava no fundo do abismo, seguindo confuso. Passou muito, muito tempo tentando sair do Abismo Comum, mas nunca encontrava saída.
Em sua angústia, o Gu do Pensamento o orientou: —Ó humano, ó humano, segues as pegadas deixadas por outros. Isso pode ser fácil e seguro, mas se queres ser extraordinário, se queres sair do Abismo Comum, seguir cegamente o caminho alheio provavelmente não dará certo. Já que escolheste teu próprio caminho de vida, deves enfrentar todas as dificuldades sozinho, deves inovar, deves deixar tuas próprias pegadas.
Recebendo essa orientação, Ren Zu compreendeu de repente e ficou muito contente. Fez conforme o Gu do Pensamento sugeria.
Ele deixou as pegadas existentes no chão e começou a pisar em solo não pisado.
O fundo do Abismo Comum era muito difícil de percorrer.
Algumas áreas eram pântanos lamacentos, muito fáceis de afundar, e o mau cheiro era forte. Algumas áreas eram cheias de espinhos, com pontas densas que deixavam Ren Zu coberto de ferimentos. Em outros lugares, o solo escondia Gu das Lâminas. Quando Ren Zu pisava, as bordas afiadas cortavam seus pés, deixando feridas largas, sangue escorrendo, e andando, a dor chegava ao coração.
A dor das feridas nos pés fez Ren Zu decidir andar levemente.
Mas enquanto andava, Ren Zu se perdeu no Abismo Comum. Muitas vezes repetia o caminho anterior, sem progresso.
Ren Zu gradualmente notou esse problema e ficou muito preocupado.
Como poderia não se perder no abismo?
Então o Gu do Pensamento lhe disse: —Ren Zu, se não queres te perder, podes fazer isso sozinho. Tens medo da dor, andas levemente. As pegadas que deixas são muito leves e rasas. Neste Abismo Comum sopra o vento comum, levanta poeira comum, a poeira cai e cobre facilmente tuas pegadas. Se não queres te perder, deves deixar pegadas profundas. Entendes o que quero dizer?
Ren Zu acenou, dizendo que entendia.
Então começou a andar com força, cada passo pisando firmemente no chão. Pisava forte, deixando pegadas profundas.
Dessa forma, cada trecho que andava deixava marcas profundas e claras. Ren Zu, ao ver essas pegadas, sabia que já havia explorado aquele caminho, e que não havia saída do Abismo Comum.
Mas não durou muito; com o tempo, mesmo as pegadas mais profundas eram gradualmente enterradas pelo vento e pela poeira.
Ren Zu ficou preocupado com isso e pediu conselho ao Gu do Pensamento.
O Gu do Pensamento deu outra sugestão: —Ó humano, embora deixes pegadas profundas, evitas deliberadamente espinhos e lâminas. Toda vez que encontras esses lugares, tu os contornas. Isso não está certo. Não podes esperar ser extraordinário e confortável ao mesmo tempo.
Ren Zu recebeu a revelação, rangeu os dentes. Então deliberadamente escolheu caminhos cobertos de espinhos e lâminas escondidas.
Cada passo deixava uma pegada profunda, não importava a dor nem a profundidade dos ferimentos.
Seu suor e seu sangue, pela sola dos pés, eram profundamente pisados no solo comum.
Quando levantava o pé e avançava, das pegadas que deixava brotava uma pequena erva.
A erva se chamava — Logro.
Em cada pegada crescia uma erva de Logro.
As ervas, uma a uma, não eram derrubadas pelo vento nem enterradas pela poeira; cresciam tenazmente, durando muito mais que as pegadas.
—Assim não vou me perder — disse Ren Zu, muito feliz. Rangendo os dentes, aguentando a dor, andava tenazmente pelo caminho de lâminas e espinhos, sem medo de sangrar ou suar.
Ele ia cada vez mais longe, não se perdia mais nem voltava ao mesmo caminho; alcançava lugares que nunca havia pisado.
As ervas que plantou com suor e sangue cresciam cada vez mais viçosas e altas.
Gradualmente, das pegadas já não cresciam apenas ervas de logro, mas sim árvores pequenas de logro.
Com o tempo, as árvores pequenas se tornavam grandes, com folhagem densa, verdejante, e até frutificavam.
Quando Ren Zu se cansava, deitava-se à sombra para descansar, colhia frutos doces e suculentos para comer e matar a fome.
Com o tempo, ele percorreu quase todos os cantos do Abismo Comum; os lugares por onde passou formaram uma grande floresta.
Ren Zu olhava para a floresta atrás de si e sentia felicidade e alegria, mas quando a floresta cobriu todo o Abismo Comum, ele ainda não conseguia encontrar a saída.
Seu coração se encheu de ansiedade e decepção.
Colheu um fruto e o levou à boca; não era mais doce e saboroso, mas amargo e difícil de engolir.
Ren Zu achou estranho, procurou a causa e logo descobriu que, sem perceber, um segundo coração havia crescido em seu corpo.
Esse coração chamava-se Descontentamento.
Como o nome sugere, qualquer coisa que provasse não provava doçura.
Comendo o fruto amargo, vendo a floresta sem fim, Ren Zu já não sentia alegria nem felicidade.
Nesse momento, do seu outro coração original, o Coração da Solidão, veio a voz do Gu Próprio: —Ó humano, pensei numa maneira de saíres do abismo. Podes cultivar uma grande árvore de Logro, alta e majestosa. Se essa árvore crescer mais alta que o Abismo Comum, podes escalar seus galhos e sair daqui.
Ren Zu pensou, seus olhos brilharam: —Sim, essa é uma boa ideia.
Mas então ficou preocupado: —E como posso cultivar uma árvore tão grande que ultrapasse o Abismo Comum?
Disse o Gu Próprio: —Com o sangue de tuas solas, cultivaste esta floresta, todas árvores comuns. Com o sangue do teu coração, deves conseguir cultivar uma grande árvore. Enterradas sob o Abismo Comum, há muitas lâminas; podes cravar essas lâminas em teu coração, derramar sangue do coração, e regar a árvore para que cresça, tenta.