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Reverend Insanity · Capítulo 680

Todo o Deserto Ocidental era um vasto mar de areia. Os oásis salpicavam a paisagem como estrelas.

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 920 palavras

Os humanos sobreviviam nesta região dependendo totalmente dos oásis.

Deserto Ocidental, Oásis Shajing.

A família Huang, como uma potência de primeiro escalão, estava estabelecida ali há centenas de anos, monopolizando os recursos mais essenciais no coração do oásis.

Nos arredores do oásis, alguns poderes menores sobreviviam como vassalos da família Huang.

Mais além, nos limites do Oásis Shajing, agrupavam-se as aldeias de mortais. Esses mortais viviam na pobreza e eram numerosos, controlados por forças de Mestres Gu como a família Huang.

Entre essas aldeias estava a Aldeia da Família Han. Nos arredores da Aldeia Han, havia uma pequena pastagem natural.

Pastagem era um modo de dizer; era várias vezes mais árida que as Planícies do Norte. Por toda parte se estendia a areia amarela, salpicada de touceiras de Grama Adaga Vermelha. Suas folhas eram afiadas como espadas, e suas raízes se fincavam profundamente na areia para absorver a escassa umidade.

Um grupo de crianças, curvadas e armadas com foices, ceifavam a grama com esforço.

Sem terem sequer completado dez anos, já eram forçadas a trabalhar para ajudar suas famílias. Essa era a lei da vida nos lares mortais.

As bordas da Grama Adaga eram cortantes. Quase todas as crianças usavam luvas de couro, exceto uma.

Essa criança, com o nariz escorrendo, manuseava a foice com uma mão enquanto a outra segurava habilmente a Grama Adaga, cortando folhas com destreza e deixando-as cair no pequeno cesto que carregava nas costas.

Os últimos raios do sol poente ainda eram escaldantes, fazendo as crianças ofegarem e ficarem banhadas em suor.

Finalmente, ao cair do crepúsculo e o sol se afundar no horizonte, deixando apenas um resquício de luz, as crianças cessaram seu trabalho.

— Vamos embora. Está anoitecendo. Os chacais-demônios vão sair para caçar — disse o menino maior, que parecia ser o líder.

— Quanto você cortou? Uau, um montão! — Como de costume, começaram a comparar suas colheitas.

— Comi bem hoje, então estou com força de sobra, hehe.

— Mas você ainda não cortou tanta grama quanto o Han Li.

— Ei, Han Li, você é incrível. Como consegue cortar grama sem luvas sem se machucar? — perguntou uma menina com o cabelo preso em duas marias-chiquinhas.

Han Li riu bobalhão.

As crianças voltaram juntas para a aldeia, conversando animadamente pelo caminho.

Ao chegar na entrada, se despediram e cada um foi para sua casa.

Han Li também chegou em casa. Empurrou a porta de madeira lascada e viu que seus pais ainda não tinham voltado.

Seu pai era fazendeiro. Cultivava Algodão de Arame de Aço nos campos a oeste da aldeia. Passava dias arando, saindo cedo e voltando tarde.

Sua mãe tinha um trabalho que todas as aldeãs invejavam. Ela ia todos os dias para os arredores do oásis para servir como empregada na casa de um Mestre Gu de um poder menor.

Han Li se posicionou ao lado de um pilão de pedra e despejou nele as folhas de Grama Adaga do seu cesto. Em seguida, pegou uma mão de pilão de madeira e começou a socá-las.

Ele se esforçava, e logo estava coberto de suor.

Quando as folhas se transformaram numa pasta, ele pegou um saco de juta e derramou uma pequena porção de cascas de arroz no pilão.

Ele misturou tudo, formando uma papinha pastosa.

Ele retirou a mistura e a colocou numa bacia de madeira.

Depois, com a bacia, foi para o cômodo ao lado.

Era um estábulo rudimentar, onde eram criados três Escorpiões de Areia Gordos.

Esses escorpiões eram gordos como porcos, e suas pinças eram completamente inofensivas. Ao ouvir os passos de Han Li, os três escorpiões saíram rapidamente das sombras do estábulo.

— Comam! Trabalhei duro para conseguir isso — disse Han Li virando a bacia, derramando a papa no chão.

Os três corpulentos escorpiões se aglomeraram e devoraram a comida ruidosamente.

— Comam, comam. Cresçam rápido e fortes... — murmurou Han Li, apoiando seu pequeno corpo na cerca, observando os escorpiões.

Os Escorpiões de Areia Gordos não eram insetos Gu, mas simples bichos.

Mas sua carne era tenra e saborosa. Vender sua carne após o abate era uma fortuna para uma família de mortais.

Para a família de Han Li, esses três escorpiões eram sua posse mais valiosa. Por isso, mesmo que Han Li ficasse sem jantar, ele primeiro garantia que os escorpiões estivessem bem alimentados.

Gluglu, gluglu...

Nesse momento, o estômago de Han Li rugiu de fome.

Han Li pulou da cerca, esfregou a barriga e correu para a cozinha para preparar o jantar.

Todos os dias ele cozinhava para seus pais.

Eles comiam Arroz de Areia, o mais comum no Deserto Ocidental. Seu sabor era péssimo e difícil de engolir, mas era fácil de cultivar e constituía o alimento básico dos mortais.

Han Li se afazia na cozinha, sem saber que já estava sendo observado há um bom tempo.

A noite caiu. Na vala comum a várias milhas da Aldeia Han, Fang Yuan permanecia sentado de pernas cruzadas, como uma estátua.

Ele havia escolhido aquele lugar por ser solitário e isolado.

Ao chegar ao anoitecer, Fang Yuan havia ativado milhares de Insetos Gu de Reconhecimento, mantendo toda a Aldeia Han sob sua vigilância.

A Essência Verdadeira de um Imortal Gu era ilimitada. Com Insetos Gu suficientes, ele podia fazer coisas cem ou mil vezes mais rápido que um mortal.

Na escuridão, Fang Yuan abriu lentamente os olhos. "A idade parece coincidir. Deve ser esse garoto", pensou consigo.

Enquanto pensava, ativou o Gu de Inspeção da Sorte de Quinto Giro.

Fim do capítulo 680