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Reverend Insanity · Capítulo 34

Capítulo — Mo Yan ergueu as sobrancelhas, a raiva brotando num instante em seu rosto comprido. Ela finalmente percebeu que Fang Yuan a tinha enganado.

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 951 palavras

"Ah, que ousadia tremenda — ousa até enganar a sua tia-avó!" Dizendo isso, estendeu a mão direita para entrar e agarrar Fang Yuan.

Fang Yuan não recuou um passo sequer. Ergueu a cabeça e soltou uma gargalhada: "Mo Yan, pense bem no que está fazendo!"

Mo Yan parou em seco, ainda do lado de fora, com a mão direita estendida suspensa no ar, mas uma ponta de hesitação e irritação cruzou seu rosto.

O clã tinha regulamentos expressos a respeito. Os alunos da academia eram protegidos — ninguém podia invadir os dormitórios para prender um estudante. Hoje, Mo Yan queria apenas dar uma lição em Fang Yuan, fazê-lo sentir um pouco de amargura. De jeito nenhum pretendia correr o risco de violar as regras do clã.

"Se eu mesma violasse as regras do clã, até poderia passar. O que temo é arrastar a família para isso, envolver meu avô." Pensando nisso, Mo Yan recolheu a mão com rancor.

Olhou para Fang Yuan dentro do quarto, os olhos arregalados. A raiva em seu olhar, se transformasse em chamas, poderia reduzi-lo a cinzas num instante.

"Eu nunca te enganei. Disse que te levaria até Fang Yuan, e agora você o encontrou. Parece que você tem algo a me dizer." Fang Yuan cruzou as mãos atrás das costas, levemente sorrindo, sem temer em absoluto o prestígio de uma mestre Gu de segunda revolução, encarando de frente o olhar furioso de Mo Yan.

A distância entre ele e Mo Yan era de apenas um passo. Um dentro do quarto, o outro do lado de fora.

Mas essa distância se tornou tão intransponível quanto um abismo.

"Hehehe, Fang Yuan, Fang Yuan... você realmente estudou bem as regras do clã." Mo Brand contém sua raiva, o rosto coberto por um sorriso gélido. "Pena que, apoiando-se nelas, você só consegue adiar. Impossível ficar para sempre no dormitório — eu quero ver até quando você pode se esconder!"

Fang Yuan soltou uma risada alta e olhou para Mo Yan com desdém: "Então eu também quero ver até quanto tempo você consegue me bloquear. Ah, já é noite — você tem uma cama para dormir. E eu? Se amanhã eu não aparecer na aula e o ancião da família investigar... o que acha que eu vou dizer?"

"Você!" Mo Yan explodiu em fúria, apontando o dedo para Fang Yuan, a ponto de avançar. "Acha mesmo que não tenho coragem de entrar e te agarrar?"

Crec.

Fang Yuan abriu completamente a porta do dormitório, um sorriso curvando-se em seus lábios, os olhos profundos como um lago. Seu tom, carregado da certeza de quem controla a situação, foi dirigido a Mo Yan numa mistura de desafio e franqueza: "Então ataque."

"Hehehe..." Mo Yan, pelo contrário, acalmou-se. Pliou os olhos e fitou Fang Yuan. "Acha que vou cair na sua provocação?"

Fang Yuan deu de ombros. Já tinha penetrado por completo a natureza de Mo Yan.

Se tivesse fechado a porta ou deixado entreaberta, Mo Yan teria pelo menos cinquenta por cento de chance de invadir por força. Mas ao abri-la de propósito, fizera Mo Yan se acalmar e hesitar ainda mais — a possibilidade de um ataque passou a ser quase nula.

Quinhentos anos de experiência já lhe permitiam compreender por completo as fraquezas da natureza humana.

Ele se virou solenemente, expondo as costas completamente diante de Mo Yan. Se ela viesse agarrá-lo naquele momento, muito provavelmente o faria num único golpe. Mas Mo Yan permaneceu parada do lado de fora, como se uma montanha invisível lhe bloqueasse o caminho.

Até que Fang Yuan se sentasse de pernas cruzadas na cama, Mo Yan continuou a observá-lo com rancor, rangendo os dentes, sem jamais dar o primeiro passo.

"É essa a tragédia da condição humana." Sentado de pernas cruzadas, Fang Yuan observou Mo Yan parada como tola do lado de fora e refletiu: "Às vezes, o que impede uma pessoa de agir não são dificuldades materiais, mas sim os grilhões da alma."

Em termos de cultivo, Fang Yuan definitivamente não era rival de Mo Yan naquele momento. Mas ela, apesar de possuir o cultivo de segunda revolução, só podia olhar para ele sem coragem de agir.

Ela estava a poucos passos de Fang Yuan, com a porta totalmente aberta e nenhum obstáculo. O que realmente amarrava suas mãos e pés era ela mesma.

"As pessoas estudam de todas as maneiras possíveis para compreender o mundo e conhecer as regras — justamente para poder usá-las. Se, ao invés disso, são dominadas por essas regras e acabam presas pelo próprio conhecimento, essa sim é a verdadeira tragédia." Fang Yuan lançou um último olhar a Mo Yan e, devagar, fechou os olhos, mergulhando sua consciência no mar primordial.

"Esse Fang Yuan realmente ousa cultivar diante dos meus olhos! É como se eu não existisse!!" Ao ver aquela cena, Mo Yan ficou tão furiosa que seu peito entrou em turbulência — quase vomitou sangue.

Ela teria vontade de avançar e desferir alguns punhos em Fang Yuan na hora!

Mas sabia que não podia.

Mo Yan sentiu de repente um toque de arrependimento. Parada do lado de fora, sentia-se numa situação da qual não sabia como sair — uma posição embaraçosa.

Não estava disposta a desistir assim, mas por mais que tentasse, não havia justificativa. Vinha com ostentação, determinada a dar uma lição em Fang Yuan, e acabou completamente humilhada.

E pior ainda: um servo da família estava ali observando.

"Maldito seja! Esse garoto de Fang Yuan é absolutamente impossível de lidar — tão pérfido!" Mo Yan pensou com rancor e começou a gritar e xingar lá do lado de fora, tentando provocar Fang Yuan para que saísse.

"Fang Yuan, seu moleque desgraçado! Se tem coragem, saia daí!"

Fim do capítulo 34