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Reverend Insanity · Capítulo 15

Capítulo 15 — O Bicho do Vinho

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 1.047 palavras

O bicho do vinho tinha o corpo do tamanho de um casulo de bicho-da-seda, irradiando por toda a superfície uma luz branca semelhante à de uma pérola. Era um pouco gordinho e de aparência bastante fofa.

Alimentava-se de vinho e conseguia voar pelo ar. Quando voava, enrolava o corpo em uma bolinha, e sua velocidade era surpreendentemente rápida.

Apesar de ser apenas um Gu de primeira rotação, seu valor superava o de alguns Gu de segunda rotação.

Se utilizado como Gu vital, seria muito melhor do que a Gu Luz Lunar.

Naquele momento, um bicho do vinho desses estava agarrado a uma haste de bambu verde-mirim, a apenas cinquenta ou sessenta passos de Fang Yuan.

Fang Yuan prendeu a respiração. Em vez de se aproximar precipitadamente, começou a recuar devagar.

Sabia que, embora a distância fosse curta, capturar o bicho do vinho diretamente seria extremamente difícil — ou melhor, simplesmente impossível — para um mestre Gu que mal havia aberto seus portais.

Com sua visão atual, Fang Yuan ainda não conseguia distinguir com clareza o bicho do vinho, mas sentia, num instinto profundo, a vigilância que a criatura mantinha em relação a ele.

Fang Yuan recuou devagar e com delicadeza, esforçando-se ao máximo para não assustar o bicho do vinho.

Sabia que, se a criatura decidisse voar embora, ele nunca seria capaz de alcançá-la. A única oportunidade seria esperar que ela bebesse até ficar bêbada, quando sua velocidade de voo diminuiria.

Ao ver Fang Yuan se afastando cada vez mais, o bicho do vinho preso ao talo de bambu não conseguiu conter sua agitação.

O forte aroma do vinho à frente tentava-o, atraía-o, fazia-o sonhar acordado. Se pudesse produzir saliva, já teria deixado uma poça no chão.

Mas a vigilância do bicho do vinho continuava alta. Fang Yuan recuou duzentos passos antes que a criatura finalmente encolhesse o corpo e saltasse para o ar.

Ao flutuar pelo céu, enrolava-se numa bolinha, como uma pequena tangzui branquinha.

A bolinha traçou um arco suave no ar e pousou no capim onde Fang Yuan havia derramado o vinho de bambu verde.

A refeição estava bem ali. O bicho do vinho baixou a guarda quase por completo e, com a ansiedade de um macaco, rastejou até o botão floral que continha o vinho, enfiou a cabeça para dentro e deixou apenas a cauda gordinha para fora.

Estava com muita fome, e o vinho de bambu verde era tão delicioso que sugou avidez, mergulhando rapidamente no sabor da refeição e esquecendo completamente de Fang Yuan.

Foi só então que Fang Yuan começou a se aproximar com todo o cuidado.

Via a cauda do bicho do vinho de fora do botão floral. Era semelhante à cauda de um casulo de bicho-da-seda — gordinha, arredondada, com um brilho que fazia pensar em pérolas.

No começo, a cauda pendia para fora, imóvel.

Logo depois, começou a se balançar para cima e para baixo — sinal de que o bicho do vinho estava se deleitando.

Quando Fang Yuan já havia se aproximado a apenas dez passos, a cauda passou a se agitar de um lado para o outro, num balanço alegre e ritmado.

Estava completamente embriagado!

Ao ver aquela cena, Fang Yuan quase soltou uma gargalhada.

Não continuou avançando. Em vez disso, aguardou pacientemente. Se fosse se jogar naquele instante, teria grande chance de capturar o bicho do vinho, mas Fang Yuan queria que a criatura o guiasse até os restos mortais do Peregrino do Vinho Floral.

Em breve, o bicho do vinho saiu do botão floral. Seu corpo estava mais gordinho, a cabeça oscilava como a de um bêbado, e sequer percebeu a presença de Fang Yuan.

Rastejou até outra flor amarelo-pálida e se instalou no centro, banquetead-se com o orvalho vinhoso.

Depois de beber dessa vez, finalmente sentiu-se saciado. Seu corpo se encolheu devagar sobre as pétalas, depois elevou-se lentamente até cerca de um metro e meio do solo, antes de seguir voando rumo às profundezas do bosque de bambu.

Fang Yuan apressou-se em seguir atrás.

O bicho do vinho estava completamente bêbado e sua velocidade de voo caiu pela metade. Mas mesmo assim, Fang Yuan precisava correr a todo o vapor para manter o rastro da criatura.

A noite estava límpida como seda lavada, e o jovem atravessava o bosque de bambu em alta velocidade, perseguindo aquele pontinho nevado à frente.

A luz da lua era suave, a brisa soprava de leve. O bosque de bambu brilhava com uma claridade aquosa — haste após haste de bambu verde-mirim surgiam diante dos olhos de Fang Yuan e rapidamente ficavam para trás.

No chão, relvados verde-vivos pontilhados de flores selvagens.

Havia pedras cobertas de musgo e brotos de bambu amarelos ainda por crescer.

A sombra difusa de Fang Yuan também se deslocava rapidamente pelo chão, cruzando as linhas retas e escuras projetadas pelos bambus.

Ele fixava o olhar naquela mancha branca, respirando fundo o ar puro da montanha entremeado ao aroma sutil do vinho, percorrendo cada passo com as pernas em movimento contínuo.

Devido à velocidade da corrida, a luz da lua sob seus pés parecia água em movimento, com sombras e claridades oscilando a todo instante — como se cavalgasse entre vegetação submersa.

O bicho do vinho saiu do bosque de bambu e Fang Yuan também. Uma extensão enorme de flores branco-cintilantes com centros levemente amarelados soltava pétalas ao vento ao redor de suas pernas.

Um enxame de grilos-dragão fluía como um poema vivo, justamente à sua frente. Fang Yuan atravessou o bando e, de repente, estalou um ruído — diante de seus olhos, uma aurora vermelha explodiu, espalhando estrelas rubras e vagalumes.

Um riacho de montanha corria silencioso, coberto de seixos rolados, suas águas murmurantes refletindo a lua de primavera no céu noturno. Plac, plac — os passos de Fang Yuan ao atravessá-lo quebraram a superfície em milhares de ondulações prateadas.

Que pena aquela lua e aquela brisa sobre o riacho, esmagadas sob os pés como pedaços de jade.

Fang Yuan não desistiu, mantendo-se fielmente atrás do bicho do vinho.

Seguindo o riacho montanha acima, já ouvia vagamente o rugido de uma cachoeira. Ao dobrar por uma floresta rala, viu o bicho do vinho entrar pela fenda de uma enorme rocha.

Os olhos de Fang Yuan se iluminaram de súbito. Ali, finalmente, parou.

Fim do capítulo 15