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Lord of the Mysteries · Capítulo 406

Capítulo 405: A Incumbência (Pedindo Votos de Recomendação na Segunda-feira)

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 1.049 palavras

Distrito Oeste, Hotel Carpensa.

Fors amparou Lawrence enquanto o levava para o seu quarto, ajudando-o a deitar-se na cama.

Era um hotel relativamente luxuoso. Com exceção do banheiro, todos os lugares eram cobertos por um espesso e macio tapete marrom-acinzentado. Nas paredes, pendiam réplicas de pinturas famosas.

Lawrence ofegou e disse: — Agradeço, Senhorita Wall. Perdoe um homem prestes a morrer por não conseguir fazer uma reverência.

— Não, Sr. Lawrence, seu problema já foi aliviado. Como uma ex-médica licenciada, posso lhe dizer, sem sombra de dúvidas, que você ainda pode viver. Descanse um pouco e iremos a uma clínica ou hospital. — Fors o tranquilizou.

Lawrence sorriu: — Conheço muito bem minha própria condição física. Não precisa me confortar. E, além disso, sou astrólogo nas horas vagas. Já pressenti que morrerei em Backlund, neste exato hotel.

Tirando os floreios, tudo o que ele disse era verdade. Ele tinha quase oitenta anos e já não era o jovem robusto e vigoroso de outrora. Se não fosse pelo aprimoramento físico fornecido pelas poções de Sequência, talvez já tivesse sido enterrado em algum cemitério.

Lawrence originalmente achava que ainda viveria mais dez anos, mas quem diria que ele se encontraria no meio da rebelião instigada pelo antigo "Viajante" Butis, sofrendo ferimentos graves nas mãos da Aurora Order, e que todos os seus descendentes restantes morreriam naquele desastre.

Isso foi um golpe imenso para ele, quase não se recuperando. Sua jornada a Backlund para encontrar seus dois irmãos e seus descendentes só lhe rendeu a notícia de que eles já haviam falecido há muito tempo, causando-lhe outro trauma mental.

A soma de todos esses eventos fez Lawrence sentir claramente que sua vida estava chegando ao fim.

Seu plano inicial era ir ao túmulo de Rauberot e Annissa para deixar um buquê, depois retornar imediatamente para se encontrar com outros membros do conselho dos anciãos de sua família e passar seus últimos desejos. Mas o estado de um idoso realmente pode piorar de repente de forma avassaladora.

Antes que Fors pudesse falar, Lawrence, com dificuldade, tirou do bolso interno de sua roupa entreaberta um caderno do tamanho da palma da mão.

A capa de papelão do caderno era verde-bronzeada, dando uma sensação muito antiga.

Em sua superfície, havia uma inscrição em Feysac Antigo: "Eu vim, eu vi, eu registrei."

Lawrence colocou o caderno sobre o cobertor em seu peito, respirou fundo e disse: — Senhorita Wall, se eu morrer aqui, pode levar isto para o Porto de Pritz?

— Sr. Lawrence, não vai acontecer nada com o senhor. — Fors enfatizou.

Ao mesmo tempo, ela lançou uma olhadela instintiva para o caderno. Não era grosso, continha três tipos de papel. Um parecia papel queimado, amarelo tostado e quebradiço, em quantidade muito escassa. Outro era como pergaminho amarelo-acastanhado, em quantidade mediana. O último era papel branco comum, em maior quantidade.

Lawrence sorriu com dificuldade: — Estou dizendo 'se', Senhorita Wall. A senhorita ajudaria?

— O Porto de Pritz não é longe, nem mesmo chega a ser uma viagem. Se for preciso correr com o tempo, com o trem a vapor, posso ir e voltar em meio dia. — Fors assentiu.

Lawrence suspirou aliviado, seu ânimo parecia ter se recuperado um pouco: — Depois que eu morrer, espere dez minutos. Tire um item brilhante do meu corpo e o entregue, junto com este caderno, a Dorian Gray, da Associação de Pescadores do Porto de Pritz. Minha carteira e as 42 libras em dinheiro dentro dela são meu pagamento e agradecimento. Estas roupas podem me acompanhar até virarem cinzas.

— Não, não precisa me dar nada. Não, não vai acontecer nada com o senhor, Sr. Lawrence. — Fors disse sinceramente.

Lawrence pareceu não ouvir o que ela disse, murmurando para si mesmo: — Talvez Dorian ainda lhe dê uma recompensa extra, mas isso depende da sua própria decisão... Eu confio em você. Pelo que aconteceu com Annissa, já posso ver que você é uma boa moça...

De repente, ele recobrou a consciência e disse a Fors: — Senhorita Wall, pode ir ao primeiro andar me trazer uma garrafa de água quente? Não sei quando o atendente vai aparecer.

— Sem problemas. — Fors não pensou muito, pegou a garrafa térmica e saiu do quarto.

Após alguns passos, ela sentiu que algo estava errado. A garrafa em sua mão estava pesada, claramente ainda tinha bastante água.

Fors estava prestes a voltar para perguntar quando, de repente, sentiu uma forte flutuação espiritual vinda do quarto.

Isso... Fors primeiro ficou paralisada, então compreendeu as intenções do Sr. Lawrence:

Com a aproximação da morte, ele sentia claramente que seu estado físico estava começando a se deteriorar, temendo perder o controle e se transformar em um monstro.

Ele queria morrer como humano, não como monstro. Então escolheu tirar a própria vida.

Essa era a dignidade final de um Beyonder.

Claro, se ele se transformasse em um monstro, todos os seus planos seriam em vão.

Ao pensar nisso, Fors ficou desolada. Ela esperou do lado de fora por quase dez minutos antes de empurrar a porta e entrar.

Ela viu Lawrence deitado imóvel na cama, parecendo ter envelhecido muito de repente. Ao lado dele, havia um "diamante" do tamanho de um olho.

A luz da janela entrava e se refratava incessantemente naquele "diamante", criando uma cena bela como o brilho das estrelas.

*Pfui...* Fors suspirou, examinou-o cuidadosamente e descobriu que a causa da morte de Lawrence era a mais simples parada cardíaca súbita.

... ...

Distrito de Cherwood, Rua Minsk, 15.

De volta a sua casa, Klein descansou um pouco, depois foi para o alto da Névoa Cinzenta para fazer uma adivinhação sobre Will Aufsein.

Ele fez o tsuru de papel voar do monte de coisas no canto e pousar sobre a longa mesa de bronze à sua frente, então retirou o pingente de cristal amarelo enrolado em seu punho.

Enquanto segurava o pêndulo em sua mão esquerda, Klein ajustou seu estado através da meditação, lembrando-se das cenas que viu no bosque fora do cemitério.

Pode ser que não tenha notado alguns detalhes, mas sua espiritualidade certamente não os teria deixado escapar. Esta adivinhação usaria principalmente isso, e contaria com a Névoa Cinzenta para eliminar interferências.

Após se preparar, Klein materializou um novo pedaço de pergaminho e escreveu a "Frase de Adivinhação":

Fim do capítulo 406