Nos arredores da zona norte, no terceiro andar do prédio da faculdade de medicina quase abandonada.
Mesmo sendo apenas três horas da tarde, a neblina e as camadas de nuvens já haviam deixado todo o
No corredor decadente, uma luz fria e oblíqua penetrava pelas janelas, fazendo com que tudo parecesse silencioso, devastado e assustador.
Já era a segunda vez que Audrey vinha ali, e ela não estava mais tão apreensiva e tensa como antes. Com a touca cirúrgica e a máscara grande, ela virou levemente a cabeça, observando o ambiente por hábito, cada detalhe do local.
O Visconde Glelint, que caminhava ao lado, começou a ficar com medo e não pôde deixar de murmurar: — Isso parece meio estranho...
— Será que tem fantasmas ou assombrações por aqui?
Como um entusiasta do ocultismo que apenas colocara um pé no círculo, as únicas coisas sobrenaturais que ele realmente vira foram Fors atravessar paredes e abrir portas, e não tinha certeza se assombrações e espectros realmente existiam.
Mas isso não o impedia de ter medo desses monstros!
Fors virou a cabeça para olhá-lo, segurando o riso, e disse: — A maioria das pessoas no encontro são seres extraordinários. Se houvesse demônios ou espectros, eles certamente ficariam muito felizes, pois isso significaria materiais ou servos.
Ao ver que o Visconde Glelint estava visivelmente aliviado, ela acrescentou de propósito: — Claro, estou falando apenas dos tipos mais fracos de espíritos. Um espectro verdadeiramente formado talvez pudesse fazer todos aqui morrerem em silêncio, e quem tentasse fugir só conseguiria correr entre os três andares, sem nunca conseguir sair, como se estivesse num labirinto.
Xio concordou com um aceno: — Já encontrei um espírito vingativo parecido. Dei voltas no cemitério sem conseguir escapar. Durante o processo, pessoas viravam a cabeça sem motivo e morriam de repente. Se não fosse por um extraordinário que carregava um Talismã Solar, talvez vocês não me veriam hoje.
O Visconde Glelint estremeceu e rapidamente virou a cabeça para olhar pela janela. Naquele exato momento, um galho seco, soprado pelo vento frio, bateu no vidro, produzindo um leve estalo.
Glelint quase gritou e, apavorado, aproximou-se um pouco mais das duas extraordinárias, Fors e Xio.
Audrey segurou o riso que já estava quase escapando, observando a cena em silêncio, pensando: Já vi o Sr. Tolo, que é quase um deus, conheci a Cidade Prateada na Terra Abandonada pelos Deuses, ouvi falar de todos os tipos de monstros terríveis nas profundezas da escuridão. Ainda vou ter medo de assombrações e espectros?
Mas... realmente nunca encontrei um fantasma de verdade. Bah! Audrey, no que você está pensando? Melhor não encontrar essas coisas se não for necessário!
A menos que eu já tenha me tornado uma "psicóloga", com habilidades extraordinárias para influenciar outros seres, ou tenha obtido um item mágico que possa conter monstros fantasmagóricos...
Os quatro aceleraram o passo e rapidamente chegaram ao local do encontro daquele dia.
Antes de entrar, Fors aproveitou uma oportunidade, curvou-se ligeiramente e sussurrou no ouvido de Xio: — Você se saiu muito bem agora há pouco, conseguiu inventar uma história tão rapidamente para assustá-lo.
— Olhe só a parte do rosto do Visconde Glelint que não está coberta pela máscara: está tão pálida que quase não se vê outra cor.
Xio virou a cabeça, um pouco confusa, e respondeu: — Eu não inventei história nenhuma.
— Isso foi algo que aconteceu antes de eu vir para Backlund.
— ... — Fors ficou surpresa e perguntou, sem pensar: — Então é verdade?
— Por que eu mentiria sobre isso? — A expressão perplexa de Xio estava completamente escondida pela máscara.
Fors virou a cabeça, deu dois passos à frente e de repente estremeceu.
Nesse momento, Glelint, que já não queria ficar mais tempo no corredor sombrio e assustador, estendeu a mão e abriu a porta do local do encontro.
Com o rangido ecoando, o que viu foi um chão de cimento, e o que sentiu foi o odor de conservante que fazia franzir o nariz.
Em seguida, viu uma grande piscina no centro, cheia de um líquido transparente e amarelado, onde flutuavam várias figuras.
Essas figuras estavam todas nuas. Algumas estavam mais inteiras, outras tinham metade da pele arrancada, com uma cor marrom-acinzentada como carne seca.
Eram todos cadáveres!
— Ah!
Um grito masculino ecoou pela sala.
Olhares se voltaram para Glelint.
Esses olhares vinham de figuras de jalecos brancos ao redor da piscina, que também usavam toucas cirúrgicas e máscaras grandes, deixando apenas os olhos e um pouco de pele expostos.
Glelint balançou o corpo, só queria se virar e correr, mas viu Audrey, Fors e Xio entrarem como se nada tivesse acontecido, passando por ele, fingindo não ser companheiras que vieram juntas.
Respirando fundo, Glelint quase vomitou.
Ele olhou para trás, para o corredor, que estava escuro e frio, cheio de sombras, sem ver uma única alma viva.
Estremecendo novamente, Glelint apressou o passo e alcançou Audrey e as outras, sentando-se no lugar mais distante da piscina.
Alguns minutos depois, uma figura de jaleco branco se destacou, usou uma haste de madeira com gancho ao lado da piscina para puxar um cadáver para a borda e, com as mãos, arrastou-o para o chão de cimento.
Ele fez uma pausa de dois ou três segundos, puxou um bisturi e abriu o abdômen do cadáver.
Com o aprofundamento do corte, uma voz fria e rouca saiu de dentro: — A reunião começou.