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Lord of the Mysteries · Capítulo 286

Capítulo 285: Tremor Instintivo

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 928 palavras

Às três horas da tarde, no cais de East Balang, na Associação dos Estivadores.

Klein usava um suéter grosso, uma jaqueta marrom-amarelada e um boné simples, deixando sua imagem mais próxima de um repórter investigativo comum do que de alguém que frequenta banquetes e entrevista pessoas de alto escalão — essa roupa lhe custou uma libra e dez sóis extras.

Naquele momento, ele usava óculos com armação dourada, cabelo penteado para trás e brilhando com brilhantina, rosto sem barba desordenada, apenas um cerco escuro de barba por fazer ao redor dos lábios, e sua altura estava pelo menos cinco centímetros maior que o normal, buscando se diferenciar claramente da imagem de trabalhador da noite anterior, de modo que ninguém que não o conhecesse bem pudesse fazer associações.

E nos bolsos de suas roupas e calças, não havia o "Olho Todo Preto", nem vários talismãs e óleos essenciais de ervas, apenas um baralho de Tarô, um bloco de notas, uma caneta tinteiro, uma carteira, alguns trocados, um chaveiro e uma carteira de jornalista falsa.

—Ele não sabia o estado atual de , nem de onde vinham os poderosos seres extraordinários ao seu redor, então, por precaução, não levou nada que pudesse levantar suspeitas.

Olhando para o prédio de dois andares à frente, Klein atravessou a rua, fingindo não depender da intuição do Palhaço para perceber que vários olhares o observavam.

Ele empurrou a porta e descobriu que a disposição do sindicato dos estivadores era bastante rudimentar: não havia recepcionista, nem salão espaçoso, a escada para o segundo andar ficava no centro, corredores com escritórios de ambos os lados, o chão não era de madeira, muito menos forrado, apenas cimento simples.

Klein olhou de relance para o homem que guardava a porta e se aproximou:

—Sou repórter do Daily. Quero entrevistar os funcionários da sua associação para conhecer suas demandas e aspirações.

Aquele homem usava uma jaqueta cheia de remendos, algumas bordas desgastadas deixavam ver um enchimento sujo, e por baixo apenas uma camisa de linho.

Ao ouvir a palavra "repórter", ele ficou alerta e respondeu repetidamente:

—Não! Não organizamos nenhuma greve recentemente, não!

—Acho que o senhor me entendeu mal. Eu simpatizo com vocês. Pretendo fazer uma reportagem especial descrevendo o que o sindicato faz para ajudar os trabalhadores e as dificuldades práticas que enfrenta. Confie em mim. —Klein usou a habilidade do Palhaço para que seu olhar parecesse excepcionalmente sincero.

—Entendo... Vá procurar o senhor Rand. Ele é nosso comissário de propaganda. Vire à direita, segundo escritório à direita. —O homem hesitou por alguns segundos.

—Obrigado. —Klein, fingindo alívio, fez uma leve reverência, sentindo que os olhares dos cantos escuros haviam desaparecido.

Virando-se, com um leve suor frio nas costas, ele virou à direita e bateu na porta do escritório correspondente.

Rangeu, a porta se abriu. Um homem de meia-idade com cabelos esparsos olhou para ele com dúvida:

—Quem é o senhor?

—O senhor é o Rand? Sou Stanson, repórter do Backlund Daily. Esta é minha carteira de imprensa. Quero fazer uma reportagem sobre o sindicato para ajudar a obter mais atenção. —Klein quase acreditou que era jornalista.

—Sou Rand. —O homem de meia-idade olhou para a carteira e hesitou com evidente relutância: —É difícil acreditar que vocês, repórteres, vieram nos ajudar.

—Nasci em East Borough. Sei como a vida dos trabalhadores é miserável. Se não confiar em minhas intenções, pode me seguir e supervisionar cada pergunta que faço. —Klein sorriu de repente e acrescentou: —Uma reportagem feita com material de entrevista real é sempre melhor do que uma notícia escrita por imaginação; pelo menos vocês podem expor seus pontos de vista e orientar as coisas na direção que esperam.

Rand coçou o couro cabeludo e respondeu hesitante:

—Está bem.

—Vou segui-lo o tempo todo.

—Obrigado! —Klein quase não conseguiu controlar suas emoções.

Depois, guiado por Rand, ele entrou em um escritório após outro, entrevistando o pessoal da associação dos trabalhadores de acordo com as perguntas pré-estabelecidas.

Corredor direito, sem sucesso; corredor esquerdo, sem sucesso... Klein subiu as escadas de madeira para o segundo andar com expressão impassível.

Desta vez, Rand o levou ao escritório bem em frente à entrada da escada e apresentou:

—Este é o senhor Stanson, repórter do Backlund Daily.

—Ele quer entrevistá-los, mas devo avisar com antecedência que vocês têm o direito de se recusar a responder a certas perguntas.

Klein forçou um sorriso, deu um passo à frente e fez um gesto de apertar a mão de cada pessoa no escritório.

Foi então que ele viu uma figura vagamente familiar.

Embora sua pele tivesse se tornado bronzeada, seu rosto redondo comum se tornado anguloso e seus óculos trocados de redondos para retangulares com armação dourada, Klein ainda sentiu uma leve familiaridade através da intuição espiritual do Vidente.

Imediatamente depois, seu corpo tremeu ligeiramente e seu sorriso quase se desfez.

—Com-licença, de repente, de repente estou com dor de estômago. Onde, onde fica o banheiro? —Klein cobriu o abdômen com a mão que não segurava a caneta e o bloco, forçando um riso.

Rand e os outros não suspeitaram de nada e apontaram para a porta:

—Saia, vire à esquerda, vá até o fim, verá a placa.

Klein, desculpando-se, recuou, saiu da sala e foi rapidamente ao banheiro.

Ao entrar, escolheu o compartimento mais próximo da janela, sentou-se no vaso sanitário e trancou a porta de madeira.

Ele se curvou, os cantos de seus lábios se torceram, riu silenciosamente, riu até parecer não conseguir se endireitar, riu até que uma gota de líquido cristalino caiu no chão.

Klein confirmou que aquele era Lanevus!

Fim do capítulo 286