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Lord of the Mysteries · Capítulo 284

Capítulo 283: Este é o Distrito Leste

17 de janeiro de 2020 · 5 min de leitura · 1.030 palavras

Dentro do prédio quase abandonado da faculdade de medicina, a reunião havia terminado. Audrey, que estava dando a volta para sair, de repente teve um vislumbre e viu a familiar névoa cinzenta e densa e a figura vaga sentada no centro dela.

— Isto é uma pista.

Junto com a voz grave do Senhor «Tolo», veio uma cena como uma fotografia, e uma fotografia colorida!

Um homem de quase dois metros, não muito corpulento, vestindo uma batina preta de clérigo, estava na sombra. Seu cabelo loiro claro era macio e levemente ondulado, seus olhos castanho-escuros escondiam ferocidade sob a frieza, e os cantos de sua boca caíam ligeiramente, solitário como um lobo.

Uma pista? A pista para o caso da explosão na Rua Dharavi e do afogamento de Gavin? Este é o assassino? Audrey ficou pasma, mas logo entendeu.

O Senhor «Tolo» já tem uma pista… Ele é incrível, não, onipotente… Depois de suspirar internamente, ela virou a cabeça para olhar para Fors ao seu lado.

Fors tinha acabado de tirar a máscara e a touca cirúrgica, e se sentado na carruagem, quando percebeu o olhar ligeiramente estranho da Srta. Audrey. Ela perguntou, confusa:

— Tem algo no meu rosto?

— Não. — Audrey desviou o olhar, sentou-se também e removeu seu disfarce.

Fors refletiu sobre a reunião anterior e perguntou, curiosa:

— Srta. Audrey, por que você não pediu a fórmula do «Espectador»? Só assim você poderia estabelecer contato com a Sociedade da Alquimia Psicológica.

Ela se lembrava de que a generosa Srta. Audrey ficara em silêncio quase toda a reunião, ouvindo na maior parte do tempo, apenas vendendo alguns materiais espirituais e comprando outras variedades.

Audrey sorriu levemente:

— É minha primeira reunião neste círculo. Acredito que observar e esperar é mais importante.

— Estou ansiosa pela fórmula da poção, e mais ainda por itens mágicos, mas digo a mim mesma que não preciso ter tanta pressa. É melhor me familiarizar primeiro e depois agir.

Também era o "hábito profissional" da via do «Espectador», e além disso, não apareceram os materiais extraordinários que o Senhor «Mundo» queria, como a medula espinhal da pantera negra grotesca ou o cristal de medula da nascente espiritual… Audrey acrescentou mentalmente.

Fors olhou para a jovem que ainda não tinha dezoito anos e de repente sentiu que ela era mais madura do que nunca.

Ela riu com amargura:

— Se eu tivesse sido assim no começo, não teria desperdiçado uma oportunidade tão valiosa.

Audrey sorriu com discrição, respondeu e mudou de assunto:

— Amanhã de manhã irei perguntar a alguns amigos especiais se eles têm alguma pista sobre o caso da explosão na Rua Dharavi. Vocês esperem notícias no lugar de sempre.

— Tudo bem. — Fors assentiu sem suspeitar de nada.

…………

Klein não voltou para a Rua Minsk durante a noite, dormindo diretamente no apartamento de um cômodo na Rua Palmeira Negra, no Distrito Leste.

Ele temia que o homem suspeito, vestindo a batina preta de clérigo, tivesse cúmplices que estivessem procurando por ele em todas as ruas.

Embora a probabilidade de encontrá-los não fosse alta, e ele estivesse disfarçado, então provavelmente não o reconheceriam, a leitura das runas indicava que havia uma possibilidade. Klein preferiu ser cauteloso e passou a noite no Distrito Leste.

Quando o céu estava clareando, ele vestiu outro uniforme de operário azul escuro, colocou um boné marrom claro, saiu do quarto, desceu as escadas e entrou na rua.

Naquele momento, uma névoa branco-amarelada se espalhava ao redor, as figuras que iam e vinham estavam borradas, e o frio úmido da manhã penetrava em suas roupas.

Klein baixou a cabeça e andou apressadamente, exatamente como os outros pedestres que acordavam cedo para trabalhar.

Enquanto caminhava, viu à sua frente um homem de meia-idade, quarenta ou cinquenta anos, com cabelos grisalhos nas têmporas e uma jaqueta grossa. Ele tremia sem parar, andando sem sair do lugar, enquanto tirava, com as mãos trêmulas, um cigarro de palha e uma caixa de fósforos quase vazia do bolso interno de sua jaqueta.

Assim que abriu a caixa de fósforos, sua mão direita tremeu, e o cigarro amassado caiu no chão, rolando até os pés de Klein.

Klein parou, pegou o cigarro e o devolveu.

— Obrigado, obrigado! É meu velho companheiro, só me restam poucos. — O homem de meia-idade agradeceu sinceramente e pegou o cigarro.

Ele tinha o rosto pálido, a barba por fazer há muito tempo, e o cansaço se revelava sem reservas em seus olhos. Ele suspirou e acrescentou:

— Mais uma noite sem dormir. Não sei por quantos dias mais vou aguentar. Espero que o Senhor me proteja e que eu consiga entrar no asilo de pobres hoje.

É um vagabundo expulso… Klein perguntou casualmente:

— Por que o rei e os ministros não permitem que vocês durmam nos parques?

— Quem sabe? Mas com esse tempo, dormir lá fora provavelmente significa não acordar mais. É melhor de dia, posso encontrar um lugar mais quente. Ah, assim não tenho tempo nem energia para procurar trabalho. — O homem de meia-idade acendeu o cigarro e deu uma tragada profunda.

Ele parece ter recuperado um pouco de energia, e caminhou ao lado de Klein, adentrando na névoa.

Klein não tinha intenção de conversar, e planejava acelerar o passo para deixá-lo para trás, mas naquele momento, viu o homem, que falava de forma coerente, se abaixar e pegar algo preto no chão.

Parecia o caroço de uma maçã, muito roído.

O homem engoliu saliva, colocou o caroço sujo e cheio de terra na boca, e o mastigou ruidosamente até virar uma pasta. Então, com a mesma habilidade, engoliu tudo sem deixar vestígios.

Vendo o olhar surpreso de Klein, ele limpou a boca, encolheu os ombros e sorriu amargamente:

— Estou há quase três dias sem comer nada.

Essa frase atingiu o coração de Klein, causando-lhe uma comoção indescritível.

Ele suspirou silenciosamente e sorriu:

— Desculpe, não me apresentei antes. Sou jornalista e estou fazendo uma reportagem sobre os moradores de rua. Posso entrevistá-lo? Vamos até aquele café ali.

O homem de meia-idade ficou atônito, mas logo sorriu:

— Sem problemas, lá dentro é muito mais quente do que na rua.

Fim do capítulo 284