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Lord of the Mysteries · Capítulo 1281

Capítulo 1272: As Sete Luzes

17 de janeiro de 2020 · 6 min de leitura · 1.114 palavras

Ao ouvir a resposta de «Luz Índigo» Hesus, o espírito de Klein retesou-se; na sua mente afloraram, um a um, a Lua Vermelha, a Estrela Parda, a Estrela Carmim, a Estrela Azul, a Estrela Áurea e outros corpos celestes, com a sensação de que todos eles eram olhos a fitá-lo do alto.

Silenciosa e despercebidamente, subtis ligações eram estabelecidas; a corrupção mortal prestes a descer fez com que cada um dos «Vermes do Espírito» de Klein se mostrasse inquieto.

Como anjo que dominava a «Fortaleza da Origem», Klein dispunha de muitos meios para cortar tal ligação: primeiro, recorrer ao grau divino e ao poder de uma criatura mítica completa; segundo, suprimir as suas próprias âncoras e, valendo-se do selo espiritual deixado pelo «Primordial», purificar tudo; terceiro, apoiar-se no hálito da «Fortaleza da Origem», a que agora podia recorrer com maior amplitude.

Sem hesitar, escolheu o método mais simples e cómodo e aquele que menos sequelas deixaria.

À sua volta surgiu, ténue, uma faixa de neblina branco-acinzentada, e as várias projecções de corpos celestes na sua mente desapareceram com ela.

Após um segundo de pasmo, Klein ordenou as palavras:

— Tantos Deuses Exteriores?

«Luz Índigo» Hesus, símbolo do domínio da «Oração», tocou o anel de rubi da mão direita e acenou que sim:

— Desde que «o Original» despertou e depois se dividiu, os Deuses Exteriores mais poderosos de todo o universo congregaram-se neste pequeno sistema estelar; uns vêm reaver as essências-origem e as características que lhes foram dilaceradas e atraídas para cá; outros desejam obter essências-origem e características de alta categoria próximas das suas próprias e capazes de as conter.

«O Original»… As Sete Luzes chamam «o Original» àquele Criador mais antigo, e não «o Primordial»… em sentido tampouco há grande diferença… — Klein ponderou as palavras e perguntou:

— Essências-origem e características dilaceradas e atraídas?

Tudo o mais que «Luz Índigo» acabara de dizer ele compreendia e tivera conjecturas semelhantes; só esta passagem o surpreendia um pouco.

Como símbolo do domínio da «Meditação», e tendo por traços próprios o amor e a sabedoria, «Luz Azul» explicou com afabilidade:

— Vossa Alteza não há-de desconhecer a Lei de Agregação das características sobrenaturais.

Vendo Klein acenar, aquele ancião, com uma safira atada à fronte e densa barba à roda da boca, prosseguiu:

— Não é apenas a regra das vias sequenciais; aplica-se igualmente às essências-origem e às características ligadas aos Deuses Exteriores, em particular àquelas que «o Original» directamente concebeu e criou — por exemplo, a «Mãe Deusa da Queda», o «Filho do Caos» e a «Árvore-Mãe do Desejo». Se há outros Deuses Exteriores desse tipo, não o sabemos com certeza. De um modo geral, esses três «Antigos», por terem perdido parte das suas essências-origem e características, são os mais preocupados e activos em erodir a realidade, tentando sem cessar influenciar o mundo do espírito e contaminar-nos.

Klein acenou levemente e perguntou, em tom que buscava confirmação:

— Quer dizer que, entre as actuais vinte e duas vias e as nove essências-origem, algumas pertencem aos Deuses Exteriores?

— Sim. — Segurando ametista, símbolo do domínio da «Magia Ritual», São Germano aproveitou a ocasião para responder: — Foi só ao chegarem-se às vinte e duas vias e nove essências-origem que tudo se equilibrou; talvez provenha de uma ligação mística que emana do «Original».

Klein reflectiu um instante e perguntou:

— Em concreto, quais?

Com o rosto velado por uma ténue luz violeta, que o fazia parecer bem misterioso, São Germano disse:

— Por exemplo, as vias da «Lua» e da «Terra»: ambas pertencem àquela «Mãe Deusa da Queda», a Existência que se encontra no cume de todos os Deuses Exteriores; ainda que parte da Sua essência-origem — a saber, o «Ninho da Mãe» — Lhe tenha sido arrancada, Ela permanece tal: é a soberana de toda a força yin do universo inteiro.

Mal acabara São Germano de dizer isto, «Luz Verde» Serápis riu de chofre:

— Na verdade, analisando atentamente as vinte e duas vias, vê-se que «Lua» e «Terra» são as duas mais dissonantes; he, he, a via da «Bruxa» representa a parte yin do «Original», e a via do «Sacerdote Vermelho» representa o domínio yang do «Original»; juntas formam uma espécie de simetria deformada; mas «Lua» e «Terra» também podem, nas sequências altas, converter os seres sobrenaturais das próprias vias em seres yin, e não têm via alguma que lhes seja simétrica.

Vendo Klein arquear ligeiramente o sobrolho, «Luz Verde», de cabelo comprido à artista, acrescentou a sorrir:

— A Sequência 2 da via da «Terra» chama-se «Senhora da Desolação», e a Sequência 1 da via da «Lua», «Deusa da Beleza»; por isso, na estirpe do sangue só há rainhas, jamais príncipes consortes.

Então a antiga deusa era originariamente homem ou mulher?… — murmurou Klein consigo, e perguntou pensativo:

— A «Lua Primigénia» é essa mesma «Mãe Deusa da Queda»?

— Sim. — Coroado por um diadema de diamantes, «Luz Vermelha» El Morya acenou com majestade. — Apoderou-Se da Lua e, por meio do próprio grau divino e da Sua influência sobre o «Ninho da Mãe» e sobre a «unicidade» das duas vias, vai erodindo a realidade passo a passo; a «Lua Primigénia» é o Seu avatar neste mundo.

Dito isto, El Morya pausou e acrescentou:

— O Seu título completo é: «Mãe Deusa da Queda», «Origem do Mal», «a Inextinguível», «o Ninho da Mãe Maculado».

Klein lembrou-se da reacção desmesurada da Lua quando soubera o segredo do «Céu Estrelado», e correu-lhe pela espinha um arrepio; apressou-se a mudar de assunto:

— As vias do «Demónio» e do «Prisioneiro» vêm da «Árvore-Mãe do Desejo»?

Trajando longa túnica amarelo-limão, «Luz Amarela» Venetian suspirou:

— Sim, o Seu título completo é «Árvore-Mãe do Desejo», «Pai dos Demónios», «o que Uiva para Sempre», «o Deus dos que Perderam a Razão»; foi por isso que, quando se manifestaram problemas no «Deus Encadeado», Ela aproveitou o ensejo e levou a corrupção a cabo com relativa facilidade.

Mãe… Pai… afinal essa Existência é homem ou mulher?… ora, para um Ser deste nível, não ter distinção de sexo é normal: avatares diversos, rostos diversos… He, e ainda Me queria dar um filho? A julgar pelo estado do «Deus Encadeado», se Me apanhassem mesmo, quem desse à luz a criança seria eu, e essa criança herdaria a «Fortaleza da Origem», deixando a «Árvore-Mãe do Desejo» erodir e dominar indirectamente essa essência-origem…

Visto deste ângulo, talvez o caminho «autêntico» da «representação» na via do «Prisioneiro» seja entregar-se ao desejo; mas, se esse caminho autêntico leva a um Deus Exterior, melhor é refrear-se… — Klein franziu de leve o sobrolho e formulou uma pergunta que há muito imaginava e desejava ver respondida:

Fim do capítulo 1281