Amon, o "Profanador"!
Para a pessoa diante dele, Leonard não era de forma alguma desconhecido. Não apenas tinha enfrentado uma de suas projeções, como também tinha ouvido sobre suas diversas façanhas e seu terrível caráter no Clube do Tarô e do Velho Pallez Zoroaster.
Nesse instante, os pensamentos de Leonard ficaram quase completamente congelados. Seu cérebro ficou em branco, com apenas uns poucos pensamentos conseguindo girar.
Foi nesse momento que os lábios de Amon se moveram, exalando sussurros que pertenciam inteiramente ao plano da divindade.
Na mente de Leonard, som após som ecoou instantaneamente, como se viessem de incontáveis Amons: "Surpreso? Inesperado?"
"Depois de descobrir que não obteria a 'Fortaleza da Origem' num curto prazo, transferi meu centro de gravidade para
"Se não fosse para enganá-los, por que eu estaria jogando aquele simples jogo de gato e rato com ele?"
"Penso que vocês devem estar em contato…"
"Ele certamente lhes contou que eu ainda estava rastreando-o, ainda sabotando suas ações, ainda armadilhando seus destinos…"
"Aquilo era apenas uma projeção próxima da Sequência 1…"
"Ah, sim, Pallez, esqueci de lhe dizer: durante um longo período no final do Quarto Período, o fundador da família Jacó era eu disfarçado. Já o havia devorado em segredo, e depois observei seus descendentes em pânico e confusão, e arranjei um jeito de acrescentar um tesouro secreto no lugar onde Tudor se tornou o 'Imperador de Sangue'…"
"Não eliminei esses caras porque tive uma premonição de que esse tesouro seria muito útil. Tenho uma projeção adormecida lá há mais de mil anos, pacientemente esperando que alguém abra o tesouro. Quanto às outras projeções, não sincronizei essa informação com elas — assim, talvez, em certos momentos, eu possa inadvertidamente completar um desvio de atenção…"
"Hm, essa sincronização é minha 'invenção', Pallez. Você ficou para trás em relação à sua época…"
"Para determinar verdadeiramente seu paradeiro, observei aquele bando destruindo as armadilhas, levando os objetos, observei sua projeção roubando as características e os artefatos selados de suas mãos, observei-a devorando e digerindo cautelosamente — e agora, finalmente, a paciência rendeu seus frutos…"
"Aposto que agora você está pensando em como ganhar tempo, esperando pela descida divina…"
Esses sons se sobrepuseram uns aos outros, rasgando os pensamentos de Leonard, perfurando sua alma, fazendo sua cabeça se expandir e contrair substancialmente, fazendo tufos de pelos curtos e negros crescerem em seu rosto, e fazendo carne se projetar entre suas costelas e em sua cintura, como se novos membros estivessem prestes a se formar.
Com apenas alguns sussurros, Leonard estava à beira de perder o controle, em dor atroz, completamente incapaz de resistir.
Este era o Filho do Criador, este era o Rei dos Anjos.
E, ao mesmo tempo, o nº 7 da Rua Pinst passou por uma mudança. Pilares de pedra negra como a noite ergueram-se em algum momento desconhecido, sustentando uma catedral majestosa e grandiosa.
Cada pilar, cada arco, cada cúpula desta igreja estava incrustado com ossos brancos de diferentes raças, apertados densa e caoticamente juntos, contemplando com olhos vazios o diminuto Leonard no centro do salão, como se estivessem julgando.
Amon estava diante de um crucifixo com mais de cem metros de altura no fundo da igreja, sorrindo para Leonard, curvado com a expressão contorcida: "Não está mal esta Igreja dos Ossos, não?
"Acabei de roubar há pouco.
"Dessa forma, se Eles quiserem perceber que algo anormal aconteceu aqui e descer, serão atrasados pelo menos trinta segundos. Isso é suficiente."
Enquanto falava, Amon ergueu a mão e apertou o monóculo de cristal, seu rosto cheio de riso.
De repente, o som de um "clang" ecoou nos ouvidos de Leonard. Era etéreo e difuso, como se viesse de uma distância infinita.
Isso fez com que os sussurros que rasgavam e poluíam o corpo espiritual de Leonard cessassem abruptamente, fazendo tudo ao redor se tornar silencioso.
Nos olhos de Leonard, raios de luz dispararam de dentro de seu corpo, condensando-se diante dele numa figura pura e luminosa, como um anjo, mas sem asas.
Esta figura também tinha cem metros de altura, sua superfície corporal constantemente cintilando com luz tênue, como se proclamando a passagem do tempo.
O corpo de Leonard foi então empurrado por uma força invisível, voando em direção à porta da Igreja dos Ossos.
Naquela porta, rostos transparentes e distorcidos se projetaram, selando interior e exterior, isolando o Mundo Espiritual e o plano astral.
"Clang!"
Outro som de sino, e aqueles rostos transparentes cheios de dor subitamente cristalizaram.
A figura de Leonard não foi mais obstruída, e naquela breve brecha, atravessou o portão da "Igreja dos Ossos" sem materialidade.
Tudo o que via diante de si imediatamente voltou ao normal. O céu ainda tinha um pouco de luminosidade, os lampiões de gás nas caladas já emitiam sua claridade, iluminando a escurecida nº 7 da Rua Pinst.
E do lado de fora, aquele edifício era silencioso, pacífico, escuro, desprovido de qualquer presença.
Velho Pallez… Somente nesse momento Leonard recuperou parcialmente seus pensamentos, seu coração se apertou, e ia avançar para entrar novamente na casa.