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Lord of the Mysteries · Capítulo 1118

Capítulo 1112: «Mestre do póquer»

23 de janeiro de 2021 · 5 min de leitura · 943 palavras

Ao ouvir a resposta do espírito maligno «Anjo Carmesim», a expressão da «Bruxa Branca» Catalina ficou no acto petrificada, sem que ela pudesse contê-la.

soltou uma risada e prosseguiu: — Deves ser uma semideusa surgida no final da Quarta Era. Já passaram mais de mil anos e ainda não te tornaste anjo — não te atinge, no fundo, certa sensação de inferioridade?

— E aquele sujeito de há pouco — que ainda recentemente precisava de se apoiar em para te encarar, fraco como uma cria recém-saída do ovo — eis que agora, em menos de um ano, já ascendeu à Sequência 4, obteve divindade e tem força capaz de te contrapor. Não te suscita isto qualquer pensamento? Não te parecem agora desperdiçados os mais de mil anos que carregas? Mesmo um cão, vivendo mais de mil anos, talvez já tivesse empurrado a porta e se tivesse tornado anjo.

— Sei o que pensas: por um lado, tens muita inveja; por outro, brotou em ti um desejo torcido, o de provar a ti mesma deitando-te com ele. Vocês, bruxas, são deveras risíveis: por um lado têm de aferrar mentalmente que eram, no princípio, homens, para não se perderem e não saírem de controlo; por outro, têm de mostrar o encanto feminino, procurar o extremo do prazer e a paixão mais intensa. Nós, caçadores, não temos esse problema: qualquer que fosse o sexo de origem, depois é apenas guerra, guerra, guerra!

— A Primordial é, de facto, um ser torto; para uma mulher pura, a senda de bruxa seria muito mais adequada. Geração após geração têm-se passado o mal umas às outras; o objectivo principal é, no fundo, vingar-se do destino, não é assim?

Cada frase do espírito maligno «Anjo Carmesim» era como uma flecha aguda, cravando-se no coração da «Bruxa Branca» Catalina; o seu rosto puro e delicado contraía-se levemente, e o seu cabelo negro, longo e lustroso parecia engrossar um pouco.

Sauron Einhorn Medici lançou um olhar oblíquo a Catalina e logo riu, com estalido na boca: — Não me digas que te vou levar a perder o controlo só com isto?

— Que sensação saudosa, na verdade.

O espírito maligno «Anjo Carmesim» fez uma pausa e disse: — Podes ir. Se surgir algo, lembra-te de invocar o Meu nome sagrado; claro, se for necessário, Eu mesmo virei ter contigo.

O rosto da «Bruxa Branca» Catalina recuperou a normalidade; franzindo levemente o sobrolho, perguntou como se não conseguisse acreditar: — Assim, sem mais, deixa-me ir?

O espírito maligno «Anjo Carmesim» riu por entre os dentes: — Quê? Queres deitar-te Comigo? Se houver oportunidade, não está fora de questão; mas neste momento há algo bastante mais importante a fazer.

— Fica descansada: visto que já invocaste o Meu nome sagrado e Me deste uma gota do teu sangue, estás sob o Meu olhar e, a qualquer momento, podes ser influenciada por Mim.

— Já te esqueceste da diferença de patamar entre anjo e santo? Não saberás quão poderoso é, na verdade, um verdadeiro alto patamar?

— Heh — a menos que reces directamente à Primordial e obtenhas a Sua resposta, jamais te livrarás do Meu olhar. Bem, em circunstâncias normais um anjo poderia consegui-lo, mas só quando o nome foi proferido apenas uma vez. Se não acreditas, autorizo-te a pedir ajuda a um anjo.

A «Bruxa Branca» Catalina ouviu com o semblante ligeiramente sombrio; no fim esboçou um sorriso e disse: — Obedeço aos vossos ensinamentos, senhor Medici.

Os sobrolhos de Sauron Einhorn Medici tremeram: — Pareces não ser assim tão pacífica; até consigo imaginar o estado em que estavas há pouco, frente a Gehrman Sparrow. Mas não me importa.

— Ah, esqueci-me de te dizer: convém que verifiques imediatamente o estado dos teus descendentes de sangue. Que Gehrman Sparrow te tenha encontrado com tanta facilidade — não te parece que aí há algo estranho?

O semblante de Catalina empalideceu ligeiramente a princípio, depois tornou-se sério e grave; assentiu lentamente: — Compreendi.

Dito isto, recuou logo, voltou a entrar pela janela de vidro e, através do ilusório mundo de espelhos sobrepostos, seguiu para sabe-se lá onde.

Vendo a «Bruxa Branca» desaparecer, na bochecha esquerda do espírito maligno «Anjo Carmesim» abriu-se de repente uma fenda sanguinolenta, e dela saiu uma voz: — Boa actriz, sem dúvida: fá-la passar por alguém que não domina bem a expressão, um nada irrequieta, mas sem a esperteza suficiente, de modo que as intenções se vêem com facilidade.

— Pois. Assim sendo, há boas hipóteses de a subestimarmos e baixarmos a guarda perante ela. — Na bochecha direita do «Anjo Carmesim» abriu-se também uma fenda cor-de-sangue, sinistra.

— Tch. As bruxas são, em verdade, todas astutas. Mas Eu nunca menosprezo qualquer presa. — O «Anjo Carmesim» falou agora pela boca normal. — Quer adormecer-Me, fazer com que A subestime; nem a menor hipótese.

A fenda sanguinolenta do lado esquerdo abriu-se e fechou-se ao responder: — Então porque foste apanhado, em tempos, por ?

— Foi por causa de vós os dois. — A personalidade que pertencia a Medici torceu os lábios. — Não tem qualquer relação com menosprezos ou adormecimentos.

A fenda sanguinolenta do lado direito bufou: — Que tal é ser presa de outrem, grande Deus da Guerra, «Anjo Carmesim» ao lado do Criador?

— Nada mau. — O semblante de Medici ensombreceu-se um pouco, mas as palavras que disse soaram quase satisfeitas.

A personalidade que pertencia a Sauron falou pela fenda do lado esquerdo: — Gostas demasiado de conseguir as coisas com bluff; foi precisamente por isso que, em tempos, Alista e os outros viram o teu bluff e aproveitaram a ocasião.

Fim do capítulo 1118