— Mora no 19 da Rua Howls?
Ao memorizar as informações, Klein percebeu aguçadamente um detalhe.
— Hum, a residência de Welch fica na Rua Howls, o clube de adivinhação fica na Rua Howls, e este comerciante de tecidos chamado Siris Aripis também está na Rua Howls… Dessa perspectiva, não é estranho que Welch conheça Haines Vancent; ele pode até ter sido apresentado por Siris Aripis…
De repente, Klein sentiu que as pistas se conectaram e seus pensamentos se tornaram claros.
Originalmente, ele estava cheio de dúvidas sobre por que Welch conhecia Haines Vancent, porque o filho do banqueiro não era alguém interessado em misticismo; para ele, dinheiro era mais útil do que adivinhação. Mas agora, Klein sentiu que podia inferir preliminarmente o processo de conhecimento deles:
— De acordo com descrições em várias revistas, a classe média e os ricos estão muito dispostos a visitar vizinhos do mesmo nível para formar um círculo social benéfico. Welch e o comerciante de tecidos Siris, ambos na Rua Howls, têm motivação e oportunidade para se tornarem amigos…
— Não é particularmente difícil entender que Siris conhece Haines Vancent, que frequenta o clube de adivinhação na Rua Howls. Talvez um encontro casual ou um favor tenha tornado familiares pessoas que aparecem com frequência na mesma área…
— Haines Vancent queria vender os textos antigos que possuía, então, através da introdução de Siris, procurou Welch, um estudante universitário de história…
— Nos sonhos de Haines apareceu a imagem do suposto deus maligno "Verdadeiro Criador", e ele mesmo dominava o formato correto de feitiços. Tudo isso indica que ele havia se aprofundado no campo do misticismo, e não se descarta que fosse membro de alguma organização secreta…
— Também não se descarta que ele tenha se juntado à organização secreta guiado por Siris.
…
Em meio a esses pensamentos, mesmo sem usar métodos de adivinhação, Klein estava quase certo de que a informação deixada pela outra parte tinha considerável credibilidade:
— Mesmo que ele não se chame Siris Aripis, não seja comerciante de tecidos e não more no número 19, ele definitivamente pertence à Rua Howls ou aos arredores!
Enquanto refletia, Klein reexaminou os registros de empréstimo da outra pessoa:
— Sua última visita à Biblioteca Deville foi no sábado passado, no dia anterior ao jantar de aniversário de Selina, que também foi o dia anterior à morte de Haines Vancent. Já se passaram vários dias e ele ainda não devolveu as revistas que pegou emprestadas.
— De acordo com os registros anteriores, quando ele pegava apenas duas revistas, geralmente voltava no dia seguinte.
— Isso significa que Siris soube da morte de Haines, ficou assustado e não se atreve a voltar à Biblioteca Deville?
— Bem, no início ele pegou muitos livros e revistas de história não relacionados, e depois gradualmente esclareceu seus objetivos, que coincidiam em grande parte com os que eu havia pegado…
— Isso mostra que ele não tinha orientação, nenhum professor associado sênior de história de universidade para consultar, e dependia inteiramente de sua própria exploração.
— O que um alvo assustado normalmente faria? Duas opções: uma, se a informação estiver basicamente completa, ele iria direto para o pico principal das Montanhas Hornacis; duas, se as principais condições ainda estiverem faltando, ele primeiro se esconderia, esperaria para ver como o vento sopra e, depois de confirmar que a morte de Haines não pode implicá-lo, reapareceria.
Com esse pensamento, Klein fechou o registro de empréstimos, devolveu-o aos bibliotecários e pegou um retrato, perguntando se eles tinham visto o alvo. Infelizmente, havia muitos frequentadores diariamente e os bibliotecários tinham dificuldade em lembrar de pessoas sem características marcantes.
— Tudo bem, desculpe pelo incômodo. — Klein guardou sua identificação e distintivo.
Ele não tinha intenção de investigar sozinho; não era apenas perigoso, mas também complicado. Ele planejava ir novamente à Rua Zouteland, entregar os assuntos subsequentes ao capitão e aos companheiros de equipe, e depois ir para casa fazer sopa de rabo de boi com tomate para seu irmão e irmã, enquanto aproveitava o espaço misterioso acima da névoa cinzenta para adivinhar o status e o paradeiro do alvo.
— Oficial, não há mais nada? — perguntou aliviado e sincero um bibliotecário.
Klein assentiu ligeiramente:
— Não há mais nada. Se aparecerem novas pistas, voltarei.
Ele segurou sua bengala preta com incrustações de prata e caminhou rapidamente em direção à porta.
Naquele momento, ele viu um homem com um terno preto de abotoadura dupla e gola levantada entrar com a cabeça baixa.
No instante em que se cruzaram, Klein vislumbrou suas sobrancelhas grossas e desgrenhadas e vislumbrou um par de olhos cinza-azulados!
Eram partes que a gola alta não conseguia esconder!
Siris? Siris Aripis? Que coincidência? Klein ficou atônito. Ele não esperava encontrar o alvo diretamente!
Que sorte!
Isso não é coincidência demais?
Ele avaliou sua condição, sentiu a dor em seus músculos e fingiu que nada havia acontecido enquanto continuava em direção à porta.
Hum, uma pessoa deve seguir os desejos de seu coração; estabilidade em primeiro lugar!
Desde que Siris não tenha saído de Tingen, esse descuido é irrelevante!
Nesse momento, o homem no terno preto de abotoadura dupla se aproximou do balcão e entregou as revistas que segurava a um dos bibliotecários.
— Devolução. — disse em voz baixa e abafada.
O bibliotecário pegou as revistas distraidamente, olhou para elas e de repente congelou.
Instintivamente, ele levantou os olhos para o homem, e seu corpo começou a tremer incontrolavelmente.
— Há algum problema? — perguntou o homem de gola alta em voz baixa.
Suas palavras foram como uma faísca que acendeu um barril de pólvora, fazendo o bibliotecário perder o controle instantaneamente. Enquanto corria para o lado, gritou alto:
— Oficial!